quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O Seu Poder De Terremoto




De repente meu mundo tremeu. Foi bem assim, eu estava há quilômetros de distância do terremoto e, ainda assim, eu pude senti-lo. Ele chegou até a mim e, como você um dia fez, destruiu todos os muros  que me protegiam, toda a minha força de me manter frio, toda a minha vontade de me tornar distante.  Você estava lá, no meio de um terremoto real, enquanto uma metáfora me atingia em cheio e destruía meu mundo perfeito construído para te convencer que estarmos separados era melhor para nós. Como se fosse um castelo de cartas e não muros de indiferença, que estava me mantendo imune, distante de você.


Eu me desesperei. Você não tem noção disso, mas faltou muito pouco para que eu perdesse meu controle e fosse te proteger. Enquanto a notícia era dada na televisão por uma jornalista fria e indiferente eu via minha própria frieza e indiferença dos últimos anos ruir até se transformar em escombros. Em segundos, sem que eu corresse qualquer perigo, eu senti que meu mundo desabava, meu chão se destruía, meu ar já não era o suficiente. Você estava lá, onde o terremoto destruía estruturas de ferro em segundos. E eu sabia que, ainda que já havia aceitado que nunca daríamos certo nem que fomos feitos para ficarmos juntos, eu não poderia viver num mundo sem você.

Eu disquei seu número, automaticamente, sem perceber. Eu precisava saber que você estava bem, ainda que isto custasse meu orgulho. Ainda que eu soubesse que nunca me perdoaria por minha fraqueza. Você estava com medo, mas garantiu que estava tudo bem, já havia arranjado um avião e sairia do país assim que fosse seguro. Não sofreu um arranhão, seu teto continuava em sua cabeça. Diferente de mim, que ainda que estivesse em mais segurança, senti os efeitos desse terremoto mais do que você.

Eu prolonguei a conversa, em parte porque queria ter certeza de que você estava bem, em parte porque sabia que não nos falaríamos depois disso. Você estava fria e deixou claro, em entrelinhas, que não precisava de mim. E eu sabia que não conseguiria conviver com minha fraqueza de ter ligado pra você. Ainda que assim eu gastasse todo meu tempo do mundo, tivemos que desligar sabendo que as tragédias até podem unir por alguns segundos, mas nossa separação sempre foi algo inevitável.

O terremoto passou sem tirar um fio do seu cabelo do lugar. Em mim, no entanto, ele teve quase o mesmo efeito que você: destruiu todo o meu mundo em segundos e me deixou em meio aos escombro, sozinho, para sobreviver. Uma metáfora apenas. Uma força da natureza. Que teve quase o mesmo poder em mim que você sempre teve: o de destruir meu mundo em poucos segundos sem se importar em me proteger.

Esta é uma série desenvolvida em parceria com a Karine Rosa, para ler a versão feminina desse conto clique aqui

8 comentários:

  1. Noooooossa! Impossivel não lembrar de duas pessoinhas orgulhosas que conheço! Fui lá no blog da karine ler a versão feminina. Vocês estão de parabéns com essa parceria :)

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    1. Oun, obrigadaaaa
      a gente ama essa parceria hahahaha

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  2. Não sei porque MAS algumas vezes que eu leio a sua versão não sei quem está falando SKAOKSOAKS qdo acho que é um mais pra frente descubro q é o outro kkkkkkkkkkkkkkk qualquer dia lerei o da Karina primeiro ver se o msm acontece kkkkkkkkkkkkkkkkkk

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    1. Você é lenta mesmo viu? HSAUASHASSAUSAHASUSAHAUSAHSAAS e é Karine! Ela te mata se ver o A

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  3. adoro seus textos :)) e os de parceria com a Karine (tb tenho o blog dela nos meus favoritos, além do seu) são sempre esperados por mim *-* bjs

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    1. Oun
      obrigaaaaaaaada <3
      quem não tem o blog da Ni nos favoritos? HAHAHAHA

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Comentários

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