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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Gerúndio Do Fim



Nosso amor foi acabando toda vez que você dizia que ia chegar num horário e esquecia do compromisso; em cada ligação que não me atendia e nem se preocupava em retornar depois; nas mensagens que ficaram ali, apenas visualizadas, e nunca respondidas.

Nosso amor foi acabando em cada uma de suas mentiras, cada uma das vezes que você disse que ia fazer uma coisa e fez outra, em cada vez que eu rezava pra todos os santos para que, pelo amor de deus, a última promessa você cumprisse. 

Foi acabando assim, como se acaba as folhas de um caderno cuja capa a gente gostou tanto, mas, de tanto escrever, apagar, rabiscar, jogar de um lado para o outro, as folhas foram ficando encardidas, rasgaram-se pelo caminho, dobraram-se, amassaram-se, findaram-se. 

Foi acabando como acaba o pó de café e a gente só percebe isso quando a água já tá no fogo e o coador já tá na garrafa. Então, abrimos a vasilha e não tem pó. E vasculhamos a casa porque temos certeza de que tínhamos um pacote extra, sem nos lembrar que o pacote extra já foi usado da última vez que não percebemos que acabou.

Agora tá tarde e eu já não tenho mais disposição para ir comprar. Não quero mais trocar de roupa, pentear o cabelo, me arrumar para atravessar a rua e encarar uma nova chance. Já não tenho coragem, nem fé, nem vontade, nem. Sabe? É que nosso amor foi assim, acabando, com uma lentidão que me deu tanta preguiça, cara, mas tanta preguiça que não faz mais sentido eu me mover ou resistir.

E, talvez, sei lá, tivesse ainda algum jeito. Se não fossem as mentiras que você ainda conta, os compromissos que você sempre esquece, a sua falta de jeito de nem perceber que tá tudo tão ruim, cara, mas tão ruim que só quero gritar, esmurrar, chorar até que toda essa solidão de mim vá embora. Mas é que pra você tá tudo tão bem que tô cansada de lutar sozinha. E acho que foi isso, sabe, que eu fui cansando, e cansando e cansando.

E nosso amor foi acabando, acabando, acabando. 

Até que acabou.


sexta-feira, 29 de abril de 2016

O Que Ninguém Viu



Todo mundo diz que a gente nasceu um pro outro. Mas ninguém viu as lágrimas que você me fez derramar, as mentiras que você me contou, o meu coração leve que pesou. Ninguém viu que os sorrisos da foto era uma enganação para mim mesma, para me convencer de que a gente era mesmo aquilo que todo mundo imaginou.

Todo mundo diz que era pra gente ter sido para sempre. Um desses modelos de casal de comédia romântica de meio de tarde, que se acerta num felizes pouco antes do final. Mas ninguém assistiu o fim dos créditos. Ninguém quis compreender o que aconteceu com nós dois depois que a câmera se desligou.

Todo mundo dizia que você me olhava como quem achou um prêmio. E ninguém entendeu que era exatamente esse o problema. Que você me via como bonequinha de sua estante, feita só para te agradar. Que nada do que eu dizia te chamava atenção e, pior, nada do que eu sentia era importante para você. Eu era seu prêmio, último modelo para ser levada aos lugares para ser admirada por seus amigos e familiares. Eu nunca fui nada para você.

Todo mundo sempre vem me dizer que não me entende, porque você era o último dos românticos por todo lugar. Mas ninguém ficou na nossa casa para ver os gritos que você dava. O seu descontrole, a sua agressão, toda a sua estupidez. De como você me destruía psicologicamente para me fazer acreditar que a culpa era minha, que não te amava do jeito que você merecia.

Todo mundo sempre me diz que eu joguei minha grande chance fora, que homem igual a você eu nunca mais vou achar. E eu sempre dou um sorriso querendo dizer que bom que não vou. Porque eu te vi como ninguém te conhecia. E não importa que éramos um casal desses lindos de propaganda de margarina, se eu tinha que me fingir de alguém que eu não era só para que você fosse comigo aquilo que todo mundo via.


sábado, 2 de abril de 2016

Aquela que floresce




Ela acordou decidida a florescer. Tirou o pijama, penteou os cabelos, se olhou no espelho: era hora de mudar. Secou as lágrimas que ainda existiam e que molharam o seu travesseiro na noite passada. Não iria chorar mais - não por ele.

Colocou o melhor sorriso que tinha e o seu vestido preferido. Tomou um café quente para aquecer o seu coração frio e vazio - porque foi assim que se sentiu por várias noites seguidas desde que ele decidiu partir.

Se separar nunca foi uma escolha dela, mas, não implorar por um amor, foi. Foi por esse motivo que ela não o pediu para ficar, para tentar ajeitar as coisas, arrumar as gavetas. No fundo já sabia que, mesmo arrumando todas as suas gavetas, não haveria muito que fazer. Havia nelas muitas roupas velhas que precisavam ser jogadas fora e não lavadas.

Foi por acreditar que nenhum amor deveria ser mendigado que o deixou voar como pólen que foi transportado pelo vento. E agora era  a vez dela de ser transportada para outro lugar.

Ao contrário de uma flor, que às vezes precisa de adubo para florir, essa garota necessitava era de coragem. Coragem para finalmente ir ao encontro do que existia além daquele jardim que há tempos não desabrochava uma única flor e estava sendo tomado pelo mato e ervas daninhas. Coragem para colocar no fundo de sua gaveta as memórias e lembranças que ainda estavam frescas em sua mente.

Ela lutou contra o mato e as ervas daninhas, criou coragem e saiu daquele jardim decidida a florir em outro lugar. Sem rumo, sem plano, apenas um objetivo: florescer.

Iria visitar outros jardins, enxergar novas cores, conhecer outros beija-flores e com eles experimentar novos sabores de néctares. Ela iria florescer e não importava se fosse na próxima primavera ou no outono.

Refletiu muito sobre a sua decisão e pensou muitas vezes em desistir, mas não voltou atrás. Ela continuou a caminhar, a princípio com passos lentos, mas prosseguiu.

A jovem garota foi a diversos lugares, visitou belos jardins e descobriu coisas novas.

E ela floresceu no final da primavera, depois de um longo e rigoroso inverno em sua vida, brotando as flores mais lindas que nunca haviam sido cultivadas por ela.

Ela floresceu. Ela sempre floresce. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Tudo O Que Eu Ainda Penso Em Te Falar




O futebol da tv tá ruim. Na internet não tem nada. O café esfriou antes que eu terminasse. É que começou a tocar aquela música que cê adorava, que cê me rodou um dia no meio da sua sala. É que acabei pensando em você.

É que bateu uma saudade das músicas horríveis que você escutava. Do seu jeito desafinado de gritar o refrão pela sala. Eu daria tudo agora para escutar aquele cd de metal folk no meu quarto hoje, aquele que eu odiava, porque isso ia mostrar que você ainda tava aqui.

É que tá chovendo e você adora chuva. É que o café ficou amargo, do jeito que cê gosta. É que acabei de ver um filme que você odiaria. E eu queria tanto falar tudo isso pra você.

É que vi sua irmã no supermercado e ela me perguntou como é que eu estava. E eu disse que eu tava bem, porque não queria que ela te contasse nada. Agora tô aqui pensando se ela contou do meu novo corte de cabelo, do meu sorriso aberto demais, de como eu pareço que não sofro por sua falta. E deu uma vontade meio maluca de te ligar, só pra você não pensar que eu já te esqueci.

É que eu não te esqueci, cê entende? É que tudo perdeu a graça, a cor, o teor e o açúcar. É que já não sei mais o que fazer com essa saudade. É que não tem mais o seu sorriso. É que eu queria tanto aquele seu abraço só para me convencer de que tudo vai voltar a ficar mesmo bem.

É que eu ainda te amo, mesmo depois de todo esse tempo. Mesmo depois de ter sido eu a te dar as costas. É que eu ainda tô lotada de você aqui dentro. E sem você eu não sou nada.


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Eu Vou Tirar Você De Mim


"Eu vou tirar você de mim
Assim que descobrir com quantos nãos se faz um sim"
Vou Tirar Você Do Dicionário - Zélia Duncan

Eu vou deletar nossas fotos em todas as redes sociais. Apagar nossos vestígios virtuais para ninguém que me conhecer a partir de amanhã me ligar a você. Eu vou desmarcar todos os lugares que estivemos juntos, todos os status de apaixonada, todas as músicas que compartilhei no seu mural. Eu vou mudar a foto de capa, stalkear a mim mesma para não deixar nenhum rastro seu e depois stalkear seu perfil para não deixar nenhum rastro meu.

Vou me livrar do que você esqueceu aqui em casa. Doar as suas roupas. Vender num sebo os seus livros cheios de dedicatórias de “te amo para sempre” dados de presente. Você me amaria para sempre, você se lembra? Então por que não me amou? Vou dar para uma criança todos os ursinhos de pelúcia. Pôr nos grupos de desapego todas as roupas que você me deu. E, pro centro de macumba daqui de perto, doar todas as bebidas que você deixou aqui em casa. Eu vou apagar qualquer rastro seu.

Vou rasgar suas cartas, destruir os textos que fiz para você, tirar você de mim. Vou picotar nossas fotos e queimar seus sorrisos. Apagar lembrança por lembrança e formatar toda a minha mente. Você vai ver: eu vou esquecer que um dia eu vi e vivi você.

Vou parar de ouvir todas as nossas bandas e músicas que marcaram nossa história. Eu vou fingir que não houve história em todo esse tempo que a gente ficou junto. Eu vou fingir que não houve nada. Vou acordar amanhã com amnésia sem nem saber o seu nome. Eu vou esquecer de cada uma de suas promessas não cumpridas, cada expectativa minha que foi frustrada, cada decepção que você me causou. Eu vou tampar todos meus machucados, colar um sorriso no rosto, esquecer você.

Eu vou me livrar de cada gesto, beijo, toque seu. Eu vou me livrar de todas as suas marcas. Da sua voz, do que me disse e do que me fez sentir. Você vai ver: eu vou tirar você de mim. E quando eu acabar de me limpar e me desintoxicar da sua doença, eu vou te mandar uma mensagem para te lembrar que do amor que acaba, a gente tem que aprender a lidar com o amor que fica. Mas de você não vai ficar nada, cara. Porque eu vou apagar você de mim.

Você vai ver. Amanhã não vai sobrar nada seu aqui.


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Tudo Aquilo Que Você É


Este texto pode ser lido de dois jeitos: como um conto normal, como vários outros aqui do blog. Ou, como foi feito originalmente, como uma propaganda poética para a história que estou postando no wattpad. Assim, ele foi baseado no enredo de TUDO AQUILO QUE EU NÃO SOU (que espera todos vocês e suas estrelinhas). Opte como vai ler. E depois leia o recado final ;)


Você me apareceu numa segunda-feira despretensiosa, em que eu não esperava nada para acontecer. Meu cabelo estava bagunçado, minha roupa não era das melhores, eu não estava no meu melhor dia. Mas você apareceu. Como quem não quer nada, como quem vai me levar tudo.

Você não pediu licença, não pediu desculpa, não bateu na porta com uma xícara na mão pedindo café ou açúcar, como todos aqueles filmes ruins. Você foi tornado. Daqueles que nem os melhores especialistas em clima eram capazes de prever. Você foi capricho de um deus absurdo. Foi ironia de um destino quase cruel. Você foi uma pedra no meio do meu do caminho e eu nunca mais esquecerei o que vi pelas minhas retinas fatigadas.

Você foi meu poema sem nenhuma rima. Foi aquela música ruim que a gente não consegue parar de ouvir. Aquele filme clichê de sessão da tarde, que a gente sempre vê quando está de bobeira em casa. Você foi o inesperado, o inusitado e o inesquecível. Você foi você. Só você por tanto tempo que, quando eu apareci, você não sabia o que fazer com tudo isso que a gente sentiu sem querer sentir.

Você tirou do lugar todas as minhas certezas. Você foi o café do meu leite. E eu fui o leite do seu café. Te deixei menos amargo, mas você me tirou meu sono. Você sempre foi insônia. Eu só esperava conseguir sonhar com você.

Você foi tudo o que eu pedi, mesmo sem saber que pedia. E quando recebi você, não soube o que fazer. Porque você foi tão real, tão insuportavelmente real, e de repente suas feridas eram minhas feridas e eu não conseguia saber lidar com todos os nossos machucados. A gente nasceu pra ficar juntos, mas a gente teimou em ser separado. Você foi tão você. E, merda, tudo o que eu quis esse tempo todo foi ser seu.

Eu nem sabia que minha vida era tão sem graça antes daquela segunda-feira. E você nem sabia que, depois do tornado, tudo seria só um tormento para nós dois. Mas você foi tudo o que você é e você é tudo que eu sempre quis. E só me pego ainda pensando que queria que, por um acaso, eu fosse tudo o que você queria também. Pra gente ser feliz juntos, meu bem.



Esse é um recado do Moço Pedrão, o personagem masculino fofo de Tudo Aquilo Que Não Sou, que está sempre tentando salvar a maluca da menina Vênus, aquela que faz de tudo para se autodestruir. Moço Pedrão tá apaixonado e tá querendo que vocês vão lá conhecer essa história que eu me divirto muito escrevendo. E aí? Vão dar uma chance pro garoto romântico? Diz que sim, sim? 
Eu tô com várias poções de Félix Felicis pronta para dar para quem marcar estrelinhas lá no wattpad.
E tudo o que você precisa é entrar lá e começar a ler.



segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Saudade Velha




Eu já fiz de tudo para te esquecer. Já mudei de estilo de roupa, já cortei o cabelo, já troquei meu telefone. Eu até desativei as redes sociais para não ver nada de você. Para não ter motivos para te stalkear, para não me machucar procurando mais doses venenosas do meu sentimento por você. Eu já fiz tudo, cara. Mas você sempre vem.

Eu tentei te deixar para trás. Apaguei nossas fotos. Deletei nossas conversas. Juro por tudo que é sagrado, cara, que fiz de tudo para me desintoxicar de você. Provei novas bebidas. Fiz novos amigos. Parei de andar com a turma que eu sei que você sempre andava também. Me esforcei todos os dias para não pensar na sua voz, no seu sorriso, no jeito com que você me olhava e todo mundo dizia que era amor. Mas era amor, cara? Eu não sei. Você nunca me respondeu, mesmo quando sempre vem.

Comecei a ouvir outras bandas, até esquecer que te dei minha música preferida. Até esquecer que cantamos ela numa festa em que ficamos muito bêbados e nos beijamos. Até me esquecer que só houve isso entre a gente: beijos durante festas em que estávamos bêbados demais. Até me esquecer de você. Mas não adianta, porque eu não esqueço. E você nunca vem.

Minhas amigas já não aguentam mais quando falo de você. Quando digo que sei, eu sei, cara, eu sei que era para ter sido a gente. Se eu não morasse tão longe. Se você não tivesse saindo de um relacionamento assim que fomos apresentados. Se eu não fosse tão machucada por um passado que você não quis saber qual era. Se a gente tivesse se cruzado na próxima esquina, sabe? Não onde nos sorrimos e nos beijamos cordialmente ao colocarmos os olhos um no outro. Se tivesse sido uma hora depois, era para ter sido você. Mas foi na hora errada. E não fomos nada.

Tempos errados marcando o mesmo sentimento? Não sei. Não sei o que você sente por mim ou por que desistiu tão rápido. Não sei de mais nada. Exceto de que já tentei de tudo, e puta que pariu, já tentei até mandinga, pulei as sete ondinhas, te devolvi pra Iemanjá, e cogitei uma macumba na encruzilhada da esquina da sua casa. Não fiz a macumba porque não queria te encontrar sem querer tão perto de onde você mora. Mas tentei, cara. Ninguém pode me dizer que eu não tentei.

Quem sabe no ano novo você se decide: se vier, que fique. Se não vier, que eu te deixe para trás. Porque não aguento mais tentar tanto te esquecer, se você sempre me vem.











Ei, gente! Aproveitando o primeiro texto do ano novo, com saudade velha, e convidando todo mundo que gosta de romances chick-lits, youngadult, para conhecer a nova história que estou publicando no wattpad. Tudo Aquilo Que Não Sou conta a história de uma menina que só queria ser livre e quem ela quisesse ser, para romper com as comparações de quase todo mundo sobre ela ser irmã de uma menina-sempre-perfeita (que já morreu). Vênus adora uma confusão e está fugindo do amor. Mas o amor é danadinho e resolveu aparecer na forma de um ruivo maravilhoso que está sempre tendo que salvá-la das MAIORES encrencas! Corre lá no wattpad pra conhecer a sinopse direitinho! E já sabem, não é? Quem dá estrelinhas ganha poções de FELIX FELICIS do meu estoque especial de amor de escritora <3

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Pra recomeçar

Nunca quis deixar você ir porque na verdade queria que cê ficasse. Que lutasse pra ficar ou pelo menos abraçasse a minha luta. Mas quando eu vi que não podia querer por nós dois, tentei deixar ir. 
Eu te quis muito. Olha, cara, como eu te quis. E te deixei ir. Não no sentido de que um dia você foi meu, porque você não foi. Nunca.

E eu nunca soube como deixar as pessoas irem embora. Te deixar ir era como se eu tivesse deixando a parte mais bonita de mim ir também. Aquela parte que acredita, que sonha, que ama. O lado bonito que espera da vida, do amor e das pessoas. 

Então eu deixava você ir nas entrelinhas. Eu achava que te deixava ir quando não te ligava pra contar do meu dia. Achava que tava te deixando ir quando escrevia aquela mensagem falando da saudade que eu sentia e, logo em seguida, apagava a mensagem sem enviar. 

Jurava que tava te deixando ir quando respondia "sim" quando você perguntava se eu tava bem. E, na real, sem você nada tava bem.

Apostei que eu tava deixando você ir quando conseguimos manter uma amizade superficial, daquelas que a gente nem lembra que se amou muito em outro momento.

Eu te deixava ir assim, aos pouquinhos, pra um dia, quem sabe, você ir embora de vez. 

Agora esse ano passou e eu não tive escolha. Do mesmo jeito que 2015 tá indo embora, você também foi. Porque a gente cansa de ser feito de bobo, sabe? A gente cansa de insistir em quem não quer ficar com a gente mas quer nos convencer a ficar pra te ter ali, guardadinho, caso precise um dia.

Há quem diga que fiz muito papel de trouxa esse ano, que eu devia ter te deixado ir há meses atrás. Na primeira mancada, eles dizem. No primeiro erro que me fez chorar por dois dias seguidos. Mas eu não me arrependo porque eu acho que trouxa mesmo é quem quer fazer o outro de idiota. Trouxa é aquele que te segura mas não te quer. Trouxa é quem brinca com os seus sentimentos sem o menor remorso. Trouxa é quem faz promessas e, além de não cumpri-las, não tem a decência de te falar que os planos mudaram.

Não é trouxa quem acredita, quem se entrega, quem se apaixona e quem tenta. Trouxa mesmo é quem não faz isso e deixa passar a oportunidade de viver uma história bonita, mesmo que passageira.

Hoje é o último dia do ano e eu posso falar sem peso que, finalmente, eu te deixei ir. Sem sofrimento, sem drama, sem culpa por ter acreditado tanto. E pra esse ano que vai vir eu não desejo ser menos trouxa, eu desejo que tenham um pouco mais de cuidado ao lidar com os sentimentos de outra pessoa. Desejo que se você fizer planos com alguém e depois mudar de ideia, tudo bem, não tem problema. Mas avisa.

Desejo que nesse ano ninguém fique no escuro vivendo uma história sozinho porque o outro esqueceu de avisar que não quer mais.

Mas desejo, acima de tudo, que exista muito amor. Aquele amor pra recomeçar. 



sábado, 28 de novembro de 2015

Borboletas Feridas Ainda Voam




Eu prometi que não escreveria mais para você.

Porque você não lê. Porque você não se importa. Porque para você o que eu faço e escrevo é só um monte de frases jogadas ao vento, carregadas morro abaixo antes de acharem morada no seu coração. Seu coração é inabitável. Tem gente que nasce mesmo pra viver sozinho. Pena que eu nasci pra viver com você.

Ou talvez seja isso que eu diga para mim mesma na frente do espelho, depois de passar mais de uma hora escolhendo roupa, arrumando o cabelo, passando maquiagem. Pra você. Eu prometi que não ia mais me arrumar e me vestir pra você. Juro que prometi ontem a noite enquanto eu chorava agarrada ao travesseiro que era a última vez que fazia qualquer coisa por você.

Eu prometi que ia parar com essa brincadeira de kamikaze. De mulher-bomba de relacionamento. De gente sem amor próprio. Que fica por aí rastejando pra quem não tá nem aí pra ela mesma. Essa gente que eu mesma levanto a voz pra falar que não deveria agir assim. Essa gente que eu sempre odiei e fiz tudo para não me parecer nenhum pouquinho na minha vida. Eu prometi que não seria desse tipo de gente. 

Eu jurei que a gente já deu o que tinha que ter dado. E a gente não deu em nada, cara, porque você não sabe amar. E talvez eu não saiba amar. Será que alguém sabe? Meu analista me perguntou e até agora não achei a resposta. Maldita hora que resolvi pagar por essas análises. Saio de lá com mais perguntas do que respostas e mais em frangalhos do que quando você me deixa na porta de casa e promete me ligar – mas nunca liga.

Por que é que você não liga, por que é que você não vem?

Demorei a entender que o problema não era eu. Não era meu. Era você. Tem gente que não nasce mesmo pra se relacionar com ninguém. Demorei a aceitar que você é desse tipo. Falta de timing, talvez. Não por falta de seios, de bundas, de olhos azuis, de cabelos loiros e compridos. É só o maldito relógio que marca a hora diferente pra mim e pra você: seu tempo tá no futuro e eu vivo num passado de ilusão em que eu jurava que você um dia tinha dado um sorriso para mim diferente do que para todas as outras. Nosso tempo nunca aconteceu.

Eu prometi que não escreveria mais para você. Nem sobre você. Nem sobre a gente e o que a gente não foi. Nem sobre o que eu adoraria que a gente tivesse sido. Eu prometi não te amolar com minhas fantasias e meus sonhos de menina que quer ser amada. Porque saquei que você não sabe amar. E me prometi que não ia continuar nessa relação que não é relação tentando te mudar. Mas prometer é muito mais fácil que cumprir. E juro que eu prometi ontem a noite que não ia mais atender quando você me ligasse, com meia dúzia de desculpas e uma promessa de que tudo ia melhorar.

Merda.

Eu juro que antes disso eu tinha prometido não te amar.


domingo, 1 de novembro de 2015

O Que Sinto Por Te Amar


Eu sinto muito, por isso, por tudo, por sempre. Por essa coisa que nos tornamos sem darmos conta. Por essa eu que me tornei sem saber quando, depois de jurar que nunca seria assim. Eu sinto muito – e sinto tanto – porque te amo. E de tudo que me machuca isso é o que mais me dói. Não deveria haver desculpas porque se ama, não é? Não deveria ser necessário dizer sinto muito por amar.

É complicado – eu sei e você sabe – Temos histórias complicadas e somos nós mesmos tão complicados. E me dói tanto, cara, e me destrói tanto que tudo o que sentimos tenha que ser realmente assim. De tudo o que a gente podia ser, por que a gente se tornou isso? Tão estranhos, tão bonitos, tão distantes do que somos na fotografia. Tão perdidos tentando achar o melhor caminho para amar.

E olho para você e sei que você me olha e sei que se pergunta porque eu mesmo me pergunto: quem vai desistir primeiro? Quem vai se cansar, entregar os pontos, correr para um porto mais seguro, antes que venha a tempestade destruir nosso barco furado? Quem vai ter coragem de abandonar primeiro, independente do amor?

Sinto tanto, tanto. E meu problema sempre foi esse: sentir tanto. E sei que do seu lado você sente também. E temos nos sentido tão sozinhos e desesperados e sem saber muito bem o que fazer. Porque não há rotas e ninguém nunca nos disse que iriamos encontrar tantas pedras, tantos espinhos, tantos obstáculos pelo caminho. Nos filmes faz tudo parecer tão fácil, não é, esse troço de amar. 

E sinto muito que eu não saiba. Que eu faça tudo errado. Que eu tenha que me culpar. Que meu estômago chega a dar voltas de enjoo e nojo de mim mesma, pelas vezes que meti meus pés pelas mãos tentando acertar. É que tenho tanto medo, cê me entende? Não, você não entende. É que eu nunca tive um porto-seguro para repousar, nem abraço para me apertar – logo eu, que nunca gostei muito de abraços – Um lugar para chamar de meu. Só que esse lugar não é meu, é seu, e você pode me expulsar a qualquer hora e isso me assusta tanto, cê sabe, perceber o quanto você – e só você – pode me machucar.

Cê nem faz ideia do quanto. E eu sinto tanto, cara, mas tanto, tanto, que mal consigo me expressar. Sinto muito por tudo, sabe, pelos erros e acertos e palavras gritadas e sufocadas e meus medos bobos e meus problemas infinitos e meus dramas de menina mimada e minha insegurança doentia de quem sente muito, tanto, por tudo. Mas principalmente que sente muito por te amar.


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Quase Nós


Baseado na música I Almost Do - Taylor Swift


Nossa música toca no modo aleatório do meu celular e antes que eu consiga apertar a tecla que levaria a próxima, penso em você. Penso em você e no dia em que você me disse que essa música era tão a nossa cara, quando ainda nos conhecíamos, quando ainda não víamos os defeitos insuportáveis um do outro, quando eu ainda acreditava que poderia haver um nós – um nós tão lindo e tão romântico e tão tudo o que sempre quis enquanto me permitia ser contaminada por todo o amor romântico que devorava nos livros água com açúcar que lia pela madrugada. 

Nós – tão lindo, se não soasse tão sós. Sós conosco mesmo, quero dizer, quando tudo ficou negro demais para suportar, quando sua grosseria ultrapassou minha paciência, quando meu ciúme te fez recuar e se afastar, quando. Penso em nós e eu quase ligo – quase, quase mesmo – quase disco os números que ainda sei de cor, quase espero passar dos três toques que você sempre espera para atender uma chamada, quase digo oi, tô com saudade, vem me ver, quero te ver. 

Tudo verdade, a gente sabe, ainda assim não ligo. Mas quase, quase. 

Do outro lado da cidade, talvez você não tenha dormido ainda, talvez você pense em mim olhando pro teto do seu quarto, encarando a quietude que é sua vida sem minha voz estridente, minhas músicas ruins, minha cantoria pela noite enquanto rodopiava pelo chão de seu apartamento em passos de dança sem ritmo, mas feliz. Talvez você pense em mim enquanto toma seu café sempre sem açúcar e se pergunta o que é que deu errado, se a gente parece tão bonitos na sua lembrança. A gente era mesmo bonito juntos na fotografia, não é mesmo? O problema que a gente nasceu pra ficar separado e, por mais que tentamos – e tentamos muito, cê sabe – nunca nos tornamos nós. 

Nós – que se entrelaçam, mas não se aprisionam, que quando vira aprisionamento já deixou de ser amor. E foi amor? Não sei. Cê sabe? Se eu te ligar você me responde? Me tira essa dúvida que me atravessa e não me deixa dormir? E eu quase te ligo – quase, quase – E quase chego a discar seus números, e quase chego a chamar seu nome, e quase lhe grito aqui do outro lado da cidade: foi amor, não foi? Foi amor o que entre nós acabou? 

E sei que pelas fotos, pelos silêncios, pelo jeito com que saí da sua vida e não te permiti nenhum retorno, eu sei que você pensa no fim de noite que eu te odeio. E eu quase, quase te odeio – te juro, quase. Assim como quase te ligo. Mas não te ligo nem te odeio. Apenas desatei o nó – e me permiti ser feliz só. E talvez, só talvez, você tenha encontrado sua felicidade do outro lado da cidade – longe dos meus problemas, dos meus cabelos enormes, da minha voz esganiçada e da minha dança tão desritmada. Sem ritmo, cê sabe, é o que fomos nós. 

Nós, tão sós, tão esquecidos, tão fingidos que seguimos em frente sem perdermos nada na despedida. Bobagem e a gente sabe – a gente, separado, como tem que ser – toda vez que vamos embora da vida de alguém perdemos um pedaço, deixamos um pedaço, partimos machucados a procura de ser curado. E não nos curamos, porque o pedaço é único e foi deixado pra trás – abandonado numa guerra de orgulho e nunca mais recuperado. Passou. Passamos. Talvez nem nunca existimos. Perdemos. 

Mas as vezes eu penso em te ligar só para te avisar que toda vez que eu não te ligo, eu quase ligo. Quase, quase. Assim como quando eu quase disse que te amava, no dia em que a gente dançou essa música que acabou de tocar. Eu quase disse. Eu quase te amei. Eu quase te ligo, quase, quase. Mas esse quase não muda nada e eu não disse, eu não te amei, eu não te ligo. 

Mas quase. Te juro: entre nós, tão sós, o que acabou tudo foi esse quase. Que é tudo o que me impede de te ligar.


sábado, 19 de setembro de 2015

Um Gole Amargo de Você



Bateu saudade. Dessas saudades que a gente não sabe de onde vem ou pra onde vai. Sobre o que ou sobre quem. Dessas que chega do nada, entre uma dose de café, um poema, uma frase bonita de qualquer autor famoso. Dessas. Que bate. E que faz a gente apanhar. Na cama que poderia ter sido nossa – e não foi – deixei que batesse. E não sei se por costume, condicionamento, pulsão de morte, poesia, vai-saber-o-que, mesmo sabendo que a saudade não tinha nada a ver com você, pensei.

No seu sorriso sempre doce que tornou tanto a minha vida azeda.  Em tudo o que a gente poderia ter sido se. E que. Sei lá. Às vezes sinto uma saudade tão grande de você – da sua autoconfiança, da sua força, da sua coragem de ir mais além custe o que custar (mesmo quando o que custa é a sanidade dos outros), daquele seu beijo e do seu abraço, ah, do seu abraço. De tudo o que sinto falta é dele que mais me dói. É dele que, mesmo hoje, nesse calor infernal de trinta graus, sensação térmica de quarenta, nenhum ventilador pra aliviar o calor e a dor, ou um mar para acalmar, ainda assim, é dele que eu precisava. E eu te juro, te abraçaria bem perto, bem apertado, daquele jeito longo que você sempre fazia após um dia de trabalho, a despeito de qualquer suor, merda de calor, e afundaria meu rosto no espaço entre seu ombro e seu pescoço – aquele espaço que eu achei que era tão meu, e nunca foi, e agora pertence a outrem – e deixaria que o mundo acabasse, caísse, desabasse, desandasse, foda-se tudo, cê ta me entendendo? Foda-se tudo, porque eu teria você.

Mas eu nunca tive. Não assim, no duro, no real, aqui, bem nessa cama que tinha tudo para ser nossa. Nunca foi. Nunca fui. Tu foi uma dessas ilusões bonitas que a gente tem antes de dormir e pede tanto antes de fechar os olhos, e até reza mesmo nunca rezando, por-favor-meu-deus-faça-com-que-seja-minha, faça que seja lindo, faça que. E acorda pela manhã cheio de esperança e disca seu número e acha que finalmente funcionou, como se a fada madrinha, Oxun, Yemanjá, eu sei lá, qualquer coisa dessas, existisse mesmo e tenha realizado a fantasia. E sai por aí caçando a primeira estrela e repete débil pra si mesmo primeira-estrela-do-céu-que-eu-vejo-que-deus-realize-o-que-eu-desejo: você. E procura estrela cadente, búzios, tarô, me deixa ver aqui nosso horóscopo. Vai que você é meu signo complementar, e se não for vai que seja amor kármico, e se não for vai que sejamos de elementos bons que se ajustam, vai que.

Nunca foi. Nunca houve um que.

E assim, penso em nós que nunca existiu a não ser aqui, na minha mente tão cansada, no meu corpo tão doente, no meu coração tão solitário, no meu. Nunca aí, em você. Nunca nas mãos dadas, no entrelaçamento de duas histórias, no cruzar com uma pessoa especial que fica por um tempo e depois se vai. Não houve tempo. Não houve um que se vai. Não houve história. Não houve nós. Não houve você.

Houve eu. E um monte de ilusão perdida, jogadas no lixo, abandonadas e renegadas sem nenhuma outra olhada melhor de você. Sem nada de você. Ilusão, cê entende, ilusão real de um real tão bem imaginado que nunca se tornou realidade. Recito isso. Lacan gostaria. Você não, você sempre tão mais Jung, não, é, babe. Eu sempre tão mais você.

Puta merda, saudade doentia que não é de você e que dói como se fosse.

E faço um café, coloco uma música, tento ler uns poemas assim meia boca, assisto um filme, me desligo, tomo um remédio para dormir e não pensar que amanhã eu tenho que fazer tanta coisa, correr atrás da minha vida, resolver mil problemas, ocupar meu tempo para esquecer você. E te revejo em minha mente só para pensar que às vezes, como hoje, sinto tanta a sua falta, mas tanto e tanto e tanto que chega a doer, sufocar, me afogar em mim e buscar me matar.

Mas em outras, ah, em outras, e provavelmente amanhã, quando eu acordar, o sol na cara e a ressaca de um remédio para dormir para lidar, eu sei, vou pensar, penso sempre. Em outras é um alívio tão grande estar tão longe para não ter a chance de mostrar minha fraqueza a alguém tão inatingível como você!



sábado, 5 de setembro de 2015

Prefiro Dizer Adeus




Seus pés se arrastam pela casa enquanto seus olhos procuram uma saída – seja olhando para a porta, para a janela, para a televisão, para qualquer lugar além de mim. Você já não me encara. E, se me encara, não me vê. Quando foi que eu passei a não existir mais para você?

É uma sensação estranha essa: saber que já acabou, mas não conseguir saber quando finalmente chegará o fim. Posso ver no seu jeito de me beijar, no fato de sempre concordar comigo para encerrar um assunto, em como não discute para escolher um filme que vamos ver na semana, em como se joga na cama e vira para o lado para dormir. Acabou, não foi? Acabou e você não consegue me avisar, não consegue me falar. Merda. Você nem mesmo consegue me olhar.

Queria que tivesse acabado para mim também, sabe? Queria que a gente fosse um desses casais bonitinhos que descobrem juntos, numa manhã ensolarada, que o amor escapou pela janela esquecida aberta. E então seriamos amigos, manteríamos contato sem rancor ou dor, eu sorriria ao falar de você pros meus amigos e, quando sua próxima namorada perguntasse sobre mim, você diria que eu fui muito importante – mas que acabou. Não precisaríamos de silêncio, de fugas, de fingir que está tudo bem para os amigos e nossas famílias. Teríamos a coragem de ir porque saberíamos que não estaríamos magoando ninguém.

Mas não somos assim. Talvez a vida mesma não seja assim – feito capítulo bonitinho de novela romântica. O amor não acaba igual para os dois lados da história. O amor não acabou para mim. Eu ainda te amo e te quero na minha vida por todos os meus dias. Eu ainda te acho sexy quando está jogado no sofá vendo seu time jogar, como se o mundo não existisse lá fora. E o modo como você sorri quando recebe um elogio. Meu coração dispara quando você me abraça e aperta quando você me solta. Tenho medo do abandono. Medo de quando você finalmente vai apenas parar de olhar para a saída mais próxima e finalmente ir.

O que me dói não é o fim do amor. Te juro, meu bem, não é. Sei que quando você for eu vou me dilacerar, mas nunca fui o tipo de menina que acha que o mundo acaba ao ser deixada para trás e você sabe. Eu sei que vai passar, como você passou pela minha vida e segurou minha mão e como esse amor passou por nós e foi embora. O que me dói, de verdade, é que você não tem coragem de ir embora e fica – fica em pedaços, se doando pela metade, me enchendo com histórias vazias enquanto se agarra a copos cheios de bebida alcoólica para ver se consegue engolir essa verdade: acabou pra você. E, por ter acabado para você, acabou para nós.

Queria lhe dizer isso. Que eu sei. Que eu consigo compreender que toda vez que você olha para além de mim é na sua fuga que você está pensando. Que esse apartamento ta pequeno para seus sonhos. Que eu estou apertada para os seus sentimentos. Que nossa história já não lhe basta e que tudo o que você quer é dar um ponto de basta em nós dois. Eu sei. E nos meus sonhos eu ensaio meu discurso a você, que se for para ser assim, prefiro te dizer adeus.

Não consigo lhe dizer, porque me dói a memória que guardo de nós. E o amor que foi embora para você e que não me deixou me sufoca antes que eu te conte que não precisa tentar fingir que está tudo como sempre esteve. Acabou, não foi? Eu sei. Você só precisa assumir pra você e para mim. Acabou a história de nós dois.




domingo, 9 de agosto de 2015

A Conta Desse Amor Quem Paga Sou Eu





Você não se dá conta das suas pisadas na bola, das vezes que me magoa, me machuca, me abandona no chão enquanto sai para outro compromisso mais importante. Você não se dá conta do que me causa, do que me aflige, do que desperta de pior em mim. Você não se dá conta. Você nunca quis ver.

Não percebe. Não toma nota. Não está nem aí e a gente sabe. Enquanto distribui sorrisos fáceis e beijos molhados, você acha que ta bem. Ta tudo sempre bem porque você só tem ganhado – quem tem perdido sou eu, sempre, e sou eu sozinha que escondo tudo no armário para você não ver que me quebrei inteira por você ter partido quando eu mais precisava, mais uma vez.

Você não se dá conta que erra, que comete falhas, que a culpa é sua sim que não presta atenção em mim – e não do mundo, e não das pessoas, e não da correria ou da sua maldita profissão – É você quem escolhe isso. E não há desculpas que te desculpe de uma culpa que, pra começo de tudo, você nem aceite como sua, não é?

Ta tudo bem, eu repito. Ta tudo bem e eu te entendo. Eu só não sei até onde eu consigo ir escondendo todos esses monstros no guarda-roupa, todos os meus machucados com maquiagem, todas as minhas lágrimas com sorrisos amarelados que eu falo que é culpa do café.

A culpa é sua mesmo.

Mas ta tudo bem.

Você não se dá conta e por enquanto eu tenho sozinha pagado a conta desse nosso amor. Eu só não tenho ideia de até quando o meu sentimento pode suportar seus preços sem entrar em falência e nos abandonar.

Mas vá. Pode ir. Pode fingir que não me machuca. Pode fingir que não falha. Pode fingir que não tem jogado tudo o que temos pro alto e não ficar para juntar os cacos. Pode ir. Eu dou conta sozinha. Ta tudo bem. E se não tiver, eu mesma faço ficar.

Até quando eu aguentar.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Açúcar Ou Adoçante?






Pode entrar. Mas cuidado pra não tropeçar nas minhas novas certezas – é que eu mudei de lugar muita coisa desde que tu se mandou sem olhar pra trás e sem bater a porta. Eu soube ali que você não voltaria. Você sempre disse que quem bate a porta sempre quer voltar. Você não bateu. Mas eu apanhei. Cara, eu apanhei de saudade, de dor de amor, de desespero esperando um milagre, um telefonema, um e-mail, uma carta extraviada pelo correio. Porra, cara, eu esperei tanto por você que cansei de esperar.

Aí, cê sabe, eu fui viver. Eu fui numa festa e bebi todas para te esquecer. Eu bebi pra cacete e a única coisa que me lembrei foi que você odiava mulher bêbada pagando mico. E eu paguei mico pra cacete, cara. E aí eu percebi que beber para te esquecer não funcionava, então eu me joguei no corpo de um moreno musculoso e acordei de ressaca de você – e não da bebida que tomei e do sexo que fiz. Eu fui conhecer novos lugares, viajei pra novos ares, abracei novos horizontes e construí novos castelos. Conheci tanta gente legal, cara, tanta gente legal que você adoraria ter conhecido. E li tantas histórias legais que tu adoraria ter lido. E achei uns filmes tão legais preto-e-branco que você adoraria ter visto. Mas no fim quem ficou preto e branco foi você, foi a gente, foi a nossa história que perdeu a cor e desfocou com o passar do tempo. A gente passou.

Eu já tinha até esquecido seu número, seu jeito de sorrir, o modo como tu fica lindo quando joga a cabeça pro lado e ri. Eu já tinha esquecido o que você causa na minha cabeça, no meu corpo e no meu coração. Eu já tinha achado que essa sensação de embrulho no estômago quando tu ta perto foi coisa que eu inventei ou vivi em outra vida. Na nossa vida eu achava que eram borboletas, coisa de gente apaixonada. Na vida que eu aprendi a viver sem você eu já sei que esse embrulho é só para me lembrar o quão mal você pode me fazer. Eu já tinha esquecido que eu te amava. Que talvez, mesmo depois de tanto tempo, eu ainda te amo. E aí tu volta, aparece, bate na porta e pede pra entrar como quem não quer nada. Quando, eu bem sei, aprendi a lição, você quer levar tudo.

Mas pode entrar, cara. Eu não troquei a chave nem pus um cadeado. Eu ainda sei amar. Apesar de você ter me destruído, disso me orgulho, eu não desaprendi a amar. Tenho raiva não. Nem ódio. Nem desespero. Nem saudade mais. Olho pra tu e penso em tudo que a gente poderia ter sido – e não fomos. Tudo o que eu adoraria ter vivido ao seu lado – e não vivemos. Tudo o que te ofereci, tudo o que você me roubou, tudo o que não faz mais sentido reivindicar ou tentar ter de volta. To bem, cara. Ta tudo bem. Te esqueci.

E esquecer as pessoas tem um gosto estranho na boca, dá um embrulho ruim no estômago. Olhar pra tudo que deixamos para trás e saber que só tem um caminho a seguir, que não leva a você, que não leva você, machuca. Machuca pra caralho, cara. Porque eu quis pra caralho que fosse você. Eu quis pra caralho que a gente cassasse. Eu quis pra caralho dizer sim a você. Eu quis pra caralho que a gente tivesse um casal de filho, um cachorro, uma casa na praia, viagens lindas nas férias e um amor pra contar aos nossos netos. Eu quis pra caralho que a gente desse certo. Que a gente ficasse junto. Que a gente fosse um daqueles casais de velhinhos fofos que ainda andam de mãos dadas por aí. Eu quis, cara. Pra caralho mesmo. Mas chega um dia que a gente percebe que nessa história de amor não adianta só um lado querer. E aí eu parei de te querer pra caralho e comecei a me querer feliz sem você.

Tu veio me convidar pra voltar a ser o seu presente e a única coisa que posso te oferecer é um café pelos velhos tempos. Com açúcar ou adoçante, pode escolher. Pode entrar, mas não repara na bagunça, no novo corte de cabelo e não se instala no sofá. Eu não sou mais aquela que você deixou de amar. E, cara, eu definitivamente não sou aquela que quer que você volte a me amar. Se sentir saudade, pode entrar. Entra pra ver que o único lugar que ainda vivemos juntos, se vivemos, ta no passado.

E é no presente que eu quero viver.




quinta-feira, 18 de junho de 2015

Fica (Não Só Na Fotografia)



Te desenho em traços para tentar te entrelaçar em minha vida. Fica. A gente dá um jeito, se rearruma, reforma as paredes em pedaços e junta os cacos que caíram pelo chão em nossas tentativas. Amar pode doer, sabe? Amar pode doer muito. Mas o amor também é o único que pode nos salvar.

A gente guarda memória e distribui por aí em mural, porta-retrato ou em um cartaz. Ou então você pode me levar dentro da carteira. Toda vez que bater dúvida, você olha para nossa memória eternizada em um papel, repara bem no teu sorriso, repara bem no que eu não te digo, mas deixo tão claro, quando te olho assim, estupidamente, como um idiota apaixonado, o sorriso bobo, os olhos perdido em você. Deus, eu penso, logo eu que nem tenho a convicção de que Deus existe, como eu amo você.

Fica. E me leva no teu bolso, que eu sempre te levo no meu coração.

E te guardo em cada lugar que eu vou e só te peço para me guardar também. Te lembro em detalhes tão pequenos que é até difícil de te contar. Me acostumei tanto a pensar em você que, se não penso, um pedaço me falta. Você é um pedaço meu. Meu melhor pedaço. Para quem eu me embrulho e me entrego do meu melhor e pior jeito sem ter medo da queda ou dos machucados. Eu sei. A gente se machuca o tempo todo nessa nossa tentativa de amor. E sei, você vai dizer, recitar palavras velhas, que tentativas de amor não é amar.

Mas eu te amo. Eu te amo quando brigamos e eu te ofendo sem querer. Quando me atraso e faço a gente perder compromissos e temos que reinventar nossos planos só para podermos ficar juntos. Sou capaz de te amar até quando você tenta me jogar coisas – com palavras ou com objetos – porque logo depois você se aninha, culposa, e pede desculpa do jeito mais desgraçado do mundo que acaba de desgraçar toda a minha vida. Ta tudo bem. Ta tudo sempre bem porque, quando eu estou com você, estou em paz. 

Só fica. Por favor, fica para além dessa fotografia. Se eternize na minha vida como o retrato nos eternizou. Fica mais um segundo, depois um minuto, depois uma hora, mais um dia e um ano. E vai ficando aqui até ficar para sempre. Porque já te entrelacei em minha vida com meus traços tortos e te eternizei em momentos para que nunca mais você precise partir, me partir, se partir do meu coração.

E só vai embora se você me prometer que vai me levar para onde quer que você vá.

So you can keep me inside the pocket
Of your ripped jeans
Holding me close until our eyes meet
You won't ever be alone
And if you hurt me that's okay baby
Only words bleed
Inside these pages you just hold me
And I won't ever let you go
Photograph - Ed Sheeran


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Tudo Que Eu Quero



Quero morar em seu coração. Quero que as batidas do seu coração sejam o primeiro som que eu ouço ao acordar e o último antes de dormir. Quero me esparramar nesse infinito particular que eu encontrei ao encostar a cabeça no seu peito e ouvir aquele compasso lento e ritmado. Quero sentir de novo a paz de fechar os olhos e me concentrar apenas nos sons do ambiente e no carinho tímido que as suas mãos de dedos finos e unhas curtas faziam em meus cabelos. Quero ter meu corpo inundado por essa paz.

Quero mergulhar no brilho que seus olhos adquirem quando você lê aquele autor que admira tanto. Quero gravar na parede da memória os trechos que foram lidos com tanto sentimento enquanto eu não conseguia fazer outra coisa que não fosse te admirar. Quero te encantar da mesma maneira como teus textos preferidos te encantam. Quero roubar o lugar de todas as mulheres que te encantam.

Quero que minhas mãos se percam entre seus cabelos que, por sinal, são a prova viva de que o negro e o violeta nunca se deram tão bem. Quero encontrar fios desses cabelos presos às minhas roupas e me lembrar contente como eles foram parar ali. Quero meu futuro preenchido por incontáveis manhãs em que eu acordarei com esses mesmos cabelos espalhados num travesseiro ao lado do meu, emoldurando um sono que se desenrola tranquilo e sossegado.

Quero que o som gostoso da tua risada seja a trilha sonora dos dias e das noites que passaremos juntas e quero que todos esses momentos sejam repletos de amor e alegria. Quero que nossos encontros sejam sempre tão espontâneos quanto tuas risadas. Quero viver das tuas risadas. Quero que não exista mais espaço para as recordações carregadas de dor e tristeza que ambas temos em nossos corações. Quero que nós nem nos lembremos mais dessas recordações.

Quero que seu cheiro fique impregnado em minhas roupas, em minha pele e em minha alma. Quero a certeza de que poderei sentir esse aroma muitas outras vezes e quero não ter que aproveitá-lo como se fosse a última vez a cada encontro nosso. Quero não sentir esse medo devastador de que você suma no dia seguinte sem deixar rastros. Quero não ter que imaginar o que eu faria para preencher a lacuna que você criaria dentro de mim caso decidisse partir hoje mesmo.

Quero aquela mulher que aparece poucas vezes ao dia, em mensagens curtas ou em pequenas demonstrações de carinho. Quero que as outras mulheres que não merecem nem um terço dessa tua intensidade percam o poder de te arrancar de mim com tanta facilidade. Quero os defeitos, as qualidades, as caretas, os sorrisos, os problemas e as soluções. Quero esse pacote completo que me mostrou que a realidade pode ser ainda melhor que todas as fantasias e idealizações.

E resumindo tudo isso em uma só frase te digo: eu quero você.



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