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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Quase Nós


Baseado na música I Almost Do - Taylor Swift


Nossa música toca no modo aleatório do meu celular e antes que eu consiga apertar a tecla que levaria a próxima, penso em você. Penso em você e no dia em que você me disse que essa música era tão a nossa cara, quando ainda nos conhecíamos, quando ainda não víamos os defeitos insuportáveis um do outro, quando eu ainda acreditava que poderia haver um nós – um nós tão lindo e tão romântico e tão tudo o que sempre quis enquanto me permitia ser contaminada por todo o amor romântico que devorava nos livros água com açúcar que lia pela madrugada. 

Nós – tão lindo, se não soasse tão sós. Sós conosco mesmo, quero dizer, quando tudo ficou negro demais para suportar, quando sua grosseria ultrapassou minha paciência, quando meu ciúme te fez recuar e se afastar, quando. Penso em nós e eu quase ligo – quase, quase mesmo – quase disco os números que ainda sei de cor, quase espero passar dos três toques que você sempre espera para atender uma chamada, quase digo oi, tô com saudade, vem me ver, quero te ver. 

Tudo verdade, a gente sabe, ainda assim não ligo. Mas quase, quase. 

Do outro lado da cidade, talvez você não tenha dormido ainda, talvez você pense em mim olhando pro teto do seu quarto, encarando a quietude que é sua vida sem minha voz estridente, minhas músicas ruins, minha cantoria pela noite enquanto rodopiava pelo chão de seu apartamento em passos de dança sem ritmo, mas feliz. Talvez você pense em mim enquanto toma seu café sempre sem açúcar e se pergunta o que é que deu errado, se a gente parece tão bonitos na sua lembrança. A gente era mesmo bonito juntos na fotografia, não é mesmo? O problema que a gente nasceu pra ficar separado e, por mais que tentamos – e tentamos muito, cê sabe – nunca nos tornamos nós. 

Nós – que se entrelaçam, mas não se aprisionam, que quando vira aprisionamento já deixou de ser amor. E foi amor? Não sei. Cê sabe? Se eu te ligar você me responde? Me tira essa dúvida que me atravessa e não me deixa dormir? E eu quase te ligo – quase, quase – E quase chego a discar seus números, e quase chego a chamar seu nome, e quase lhe grito aqui do outro lado da cidade: foi amor, não foi? Foi amor o que entre nós acabou? 

E sei que pelas fotos, pelos silêncios, pelo jeito com que saí da sua vida e não te permiti nenhum retorno, eu sei que você pensa no fim de noite que eu te odeio. E eu quase, quase te odeio – te juro, quase. Assim como quase te ligo. Mas não te ligo nem te odeio. Apenas desatei o nó – e me permiti ser feliz só. E talvez, só talvez, você tenha encontrado sua felicidade do outro lado da cidade – longe dos meus problemas, dos meus cabelos enormes, da minha voz esganiçada e da minha dança tão desritmada. Sem ritmo, cê sabe, é o que fomos nós. 

Nós, tão sós, tão esquecidos, tão fingidos que seguimos em frente sem perdermos nada na despedida. Bobagem e a gente sabe – a gente, separado, como tem que ser – toda vez que vamos embora da vida de alguém perdemos um pedaço, deixamos um pedaço, partimos machucados a procura de ser curado. E não nos curamos, porque o pedaço é único e foi deixado pra trás – abandonado numa guerra de orgulho e nunca mais recuperado. Passou. Passamos. Talvez nem nunca existimos. Perdemos. 

Mas as vezes eu penso em te ligar só para te avisar que toda vez que eu não te ligo, eu quase ligo. Quase, quase. Assim como quando eu quase disse que te amava, no dia em que a gente dançou essa música que acabou de tocar. Eu quase disse. Eu quase te amei. Eu quase te ligo, quase, quase. Mas esse quase não muda nada e eu não disse, eu não te amei, eu não te ligo. 

Mas quase. Te juro: entre nós, tão sós, o que acabou tudo foi esse quase. Que é tudo o que me impede de te ligar.


quinta-feira, 18 de junho de 2015

Fica (Não Só Na Fotografia)



Te desenho em traços para tentar te entrelaçar em minha vida. Fica. A gente dá um jeito, se rearruma, reforma as paredes em pedaços e junta os cacos que caíram pelo chão em nossas tentativas. Amar pode doer, sabe? Amar pode doer muito. Mas o amor também é o único que pode nos salvar.

A gente guarda memória e distribui por aí em mural, porta-retrato ou em um cartaz. Ou então você pode me levar dentro da carteira. Toda vez que bater dúvida, você olha para nossa memória eternizada em um papel, repara bem no teu sorriso, repara bem no que eu não te digo, mas deixo tão claro, quando te olho assim, estupidamente, como um idiota apaixonado, o sorriso bobo, os olhos perdido em você. Deus, eu penso, logo eu que nem tenho a convicção de que Deus existe, como eu amo você.

Fica. E me leva no teu bolso, que eu sempre te levo no meu coração.

E te guardo em cada lugar que eu vou e só te peço para me guardar também. Te lembro em detalhes tão pequenos que é até difícil de te contar. Me acostumei tanto a pensar em você que, se não penso, um pedaço me falta. Você é um pedaço meu. Meu melhor pedaço. Para quem eu me embrulho e me entrego do meu melhor e pior jeito sem ter medo da queda ou dos machucados. Eu sei. A gente se machuca o tempo todo nessa nossa tentativa de amor. E sei, você vai dizer, recitar palavras velhas, que tentativas de amor não é amar.

Mas eu te amo. Eu te amo quando brigamos e eu te ofendo sem querer. Quando me atraso e faço a gente perder compromissos e temos que reinventar nossos planos só para podermos ficar juntos. Sou capaz de te amar até quando você tenta me jogar coisas – com palavras ou com objetos – porque logo depois você se aninha, culposa, e pede desculpa do jeito mais desgraçado do mundo que acaba de desgraçar toda a minha vida. Ta tudo bem. Ta tudo sempre bem porque, quando eu estou com você, estou em paz. 

Só fica. Por favor, fica para além dessa fotografia. Se eternize na minha vida como o retrato nos eternizou. Fica mais um segundo, depois um minuto, depois uma hora, mais um dia e um ano. E vai ficando aqui até ficar para sempre. Porque já te entrelacei em minha vida com meus traços tortos e te eternizei em momentos para que nunca mais você precise partir, me partir, se partir do meu coração.

E só vai embora se você me prometer que vai me levar para onde quer que você vá.

So you can keep me inside the pocket
Of your ripped jeans
Holding me close until our eyes meet
You won't ever be alone
And if you hurt me that's okay baby
Only words bleed
Inside these pages you just hold me
And I won't ever let you go
Photograph - Ed Sheeran


sexta-feira, 18 de abril de 2014

A Escritora E O Músico



Eles se esbararam, tropeçaram, se encontraram ou se perderam numa dessas curvas do destino irônico que ele tanto acreditava e ela não suportava acreditar. Nenhum dos dois sabe ao certo como foi que aconteceu, mas sabiam que o inverno que ali fazia –dentro deles e do lado de fora também –foi-se embora assim que trocaram um olhar e uma dessas desculpas esfarrapadas junto de um oi, tudo bem?, eu vou bem e você?, eu também. O acidente e o frio fizeram-se desculpa para ele se fazer de educado e chamar a moça desequilibrada e de sorriso bonito pra tomar um café quente, depois de lhe oferecer seu único casaco. Ela aceitou –o café, o casaco e, sem querer, ele em sua vida.

Tinham pouca coisa em comum, se você quer saber. Feito Eduardo e Mônica, talvez, só que um pouco mais contemporâneo, ele mais pra Mônica e ela mais pra Eduardo. Ele gostava de músicas que ela nunca tinha ouvido falar, e ela curtia uns populares que ele não aguentava ouvir citar. Ela era romântica, ele idealista. E se ela escrevia, ele compunha em dós e rés músicas que ninguém ouvia. Ele o problema, ela a solução. A aspirante a escritora e o aspirante a músico e poeta, eram, juntos, uma boa combinação. Se ela era barulho, ele era o silêncio que tanto buscava. E se ele era organização, ela era a bagunça que colocava sua vida no lugar (ainda que de cabeça para baixo).

Ela já quis ser de tudo –jornalista, cineasta, roteirista, cronista, modelo, médica, advogada, doutora, professora, e até, vai entender, piloto de avião –Já ele preferia se manter a passos pequenos e sonhos grandes pra chegar onde sua mente sonhadora planejava a todo instante. Se ela era vida, ele era sonho. Se ele era complicado, ela desamarrava os nós com cuidado. Se ela era música, ele lhe fazia de sua inspiração. Se ele era poeta, ela fazia dele sua maior história de amor. E se vocês acham que eles eram diferentes demais para darem certo juntos, posso afirmar, que apesar de enxergarem o mundo por lugares diferentes, viam a luz do mundo de um mesmo modo: pelos olhos do outro.

Ele, que idealizava tudo, viu nela sua única certeza sem ter alguma hesitação. E se ela era quem questionava sempre em busca de respostas, viu naquele cara meio assim desengonçado-esquisito-idealista perdido num mundo sem compaixão sua única explicação. E juntos descobriram que para sempres podem existir, quem sabe, além de um fim de uma história ou de uma nota de uma música. E que apesar de nem todo o tempo do mundo lhe serem o bastante, quando se juntaram provaram que a eternidade é coisa de um instante.

E ele, que tinha medo de altura, se viu voando nos braços corajosos dela. E ela que queria ganhar o céu, alcançou as estrelas no instante em que ele lhe pediu a mão. A escritora e o músico tinham pouco em comum além de um mesmo coração. Se se perderam ou se encontraram ninguém pode saber, mas eles entendiam que haviam se conhecido de verdade ao se acharem um no outro, que nem aquelas histórias clichês que ela escrevia por aí ou aquela canção que ele fez e esqueceu no canto do quarto junto com seu velho violão. Se separados não faziam sentido, juntos eram imbatíveis e a escritora e o músico viveram um amor assim, meio em melodia, meio em rima, meio em textos sem pontos e vírgulas, sem igual porque se completavam –que nem arroz com feijão.



Esse texto foi um pedido feito pela Jéssica Zambello, mais conhecida como Jesselicious :P baseado na música de Ele/Ela da Sandy Leah (com um pouco de Eduardo e Mônica, também). Ta oh: uma bosta. Mas foi de coração!









Eu sei, tô devendo zilhões de textos que vocês encomendaram. Mas tô tentando entregar todos, apesar da minha lentidão. É como diz aquela música do Lulu Santos que eu meio que adoro: assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade. Eu, no caso caminho assim. Se você tem alguma sugestão de algum texto, manda um e-mail para mim (nanzcampos@gmail.com) e me conta, quem sabe um dia eu não possa entregar o seu pedido a você HAHAHAHA

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Minha Culpa, Minha Amarga Doce Culpa


Eu sei, eu passei dos limites. Eu fui além da conta. Ignorei as vírgulas, pulei as pausas, entrei na contramão da gramática e do amor. Eu sei. Eu fiz tudo errado. E olha que eu tava tentando acertar. Sabe? Tentando consertar as coisas porque fiz tudo errado em todas as outras relações: onde não me doei, não me entreguei, não me joguei por medo da altura, dos machucados, das consequências de um ato insano como é esse de se apaixonar. Com você, olha só, eu quis tanto ser diferente que errei ainda mais. Errei a mira, o tiro, o alvo, a gente. Apertei de mais o nós não foi? Deu erro. Deu nó. Desses nós que não soltam não importa o que a gente faça. Desses nós que não fazem bem porque não nos aprisiona. Desses nós que sufoca e faz a gente se espremer e sair assim, todo machucado, ferido, sangrando e arfando por um ar puro longe do aperto e da angústia de um quase afogamento sem água, de um sufocamento sem mãos prendendo sua respiração, de um amor que deveria ter feito bem. E não fez.

A culpa é minha e eu assumo. Assumo que perdi o controle e não só saí da linha como entrei a toda numa curva muito fechada e capotei. Capotei e me machuquei inteira e você nem faz ideia porque de tão machucado que ficou nem percebeu as feridas expostas em mim. Assumo que tentei te fundir a mim, indo contra toda aquela balela de lei da física sobre dois corpos não ocuparem o mesmo lugar. Assumo que pulei pontes, vírgulas, pausas e o tempo que deveria ter respeitado pra não te assustar. Te assustei, não foi? Me olhando no espelho também me assusto com o mal que te amar tanto também me fez.

Logo eu, que dizia pra todo mundo o quão independente eu era simplesmente porque nenhum cara com quem me envolvi me bagunçou, me inundou, me tirou o chão, arrancou meu teto e depois me abandonou no meio da noite sem uma despedida sequer  –e não posso nem te culpar por isso, não é, porque me abandonou aos berros, aos vômitos de uma relação fracassada sem esconder de mim, do prédio, da rua e dos amigos o quanto eu era maluca-suicida-fanática-sem vida por você. Você que jogou os porta-retratos na parede e rachou a minha alma. Você que jogou no chão aquele enfeite que a gente comprou na nossa viagem mais feliz e me deixou aos cacos. Você que me reinventou inteira, me cobriu de joias e um vestido lindo, mas me abandonou na festa. Você que me ensinou aquela música, mas foi embora no meio da dança. Você que me convidou a o paraíso, mas me deixou para lidar sozinha a bagunça que deixou pra trás, as cinzas do cigarro e do nosso amor que não limpou, os cacos do coração que dei a você e que você não quis levar. Logo eu, que adorava declarar por aí que não me humilhava, nem rastejava, nem controlava todos os passos dos caras que me apaixonei, que não fazia sentido e que não era maluca, fui tudo isso com você. Te persegui ao te fazer meu combustível, ao te tornar o único ar que queria respirar, ao querer você como abrigo, te ter para sempre comigo. Fui sua refém, amor, e você sabe disso. Mas também fui nossa bandida. Segurei a arma e nos matei –sem nem precisar apertar o gatilho.

A culpa é sua e você não assume. Não assume porque não viu que o único erro meu foi te amar demais, além do limite da minha sanidade, além do limite da sua entrega. Não assume porque assumir culpa nunca foi uma qualidade sua. Você só acusa. Aponta os dedos, as armas, as palavras que ferem e depois faz sua cara de anjo que ajuda por causa do seu cabelo de anjo e seu sorriso de anjo, expert em me deixar ser a culpada, ainda que tenha sido você que ligou pra ex, manteve contato com uma mulher que era declaradamente doente por você, sumido numa sexta e aparecido no sábado a tarde com uma marca de batom no colarinho, marcas de unhas pelo corpo e aquele maldito sorriso de quem sabe que aprontou e também sabe que eu te perdoaria por qualquer coisa que fizesse. Mas nunca entendeu porque eu perdoava, não é?  Porque apesar de todos seus erros ainda deixava a porta do nosso quarto aberta, porque depois de todas as suas fugas ainda te esperava voltar com os braços abertos e porque, mesmo você tendo ido embora e me deixado aqui, jogada ao chão, quebrada em cacos para sempre, sozinha para limpar a bagunça que foi nosso amor, ainda que você também tenha tido sua parte no crime e também tenha nos matado, é apenas eu que assumo a culpa e assino essa carta.

Me machuquei, tá? Mas já coloquei o curativo e tô ensaiando um recomeço. Sem você. Sem nós. E sem essa loucura que foi o que a gente foi –mesmo que não tenhamos sido nada. Pode deixar que eu limpo o que ficou pra trás. Coloco na mala o que for seu e te mando pro seu novo endereço. Tô viva, olha só, viva e um pouco mais leve sem o peso de tentar carregar você pra todo lugar. No coração, apesar da dor, alívio. Alívio porque agora posso voltar a ser de quem eu sempre fui antes de você: de mim mesma. Alívio porque a catarse dessa loucura foi embora: você. Alívio porque quando um amor doente acaba, a saúde volta e com o tempo o sorriso também. Alívio porque nosso combustível acabou antes de pegar fogo e matar nós dois –só queimou o suficiente pra matar a nossa história e histórias, meu bem, histórias acabam (quando são ruins: ainda bem).  Alívio porque assumo a culpa me sentindo menos culpada do que quando você me acusava todas as noites antes de dormir, depois de ter feito uma coisa errada.

Alívio porque sei. Sei que a culpa foi minha. E sei por que fui a culpada.  E quero que você saiba também e por isso cuspo aqui uma carta com minha assinatura e te entrego junto com suas coisas sem querer te ver pra poder me desintoxicar de você:

A culpa foi minha sim. Que te amei tanto, mas tanto, mas tanto... que esqueci do mais importante: de mim. Que de tanto tentar te encontrar, me perdi. Que de tanto querer ser sua, deixei de ser minha. Que de tanto querer que desse certo, fiz tudo errado. Que te fiz minha droga mais viciante e quase, mas quase mesmo, me matei de overdose. Que de tanto te amar, amor, não me amei.


E por tudo isso: nos matei.



Sei que fui fanática, suicida

Abri mão da própria vida
Fui refém e fui bandida
Por querer te amar demais
Quase entrei num beco sem saída
Mas depois da despedida
Volto ao ponto de partida
Pra encontrar o amor
Combustível -Ana Carolina

Este texto foi encomendado por Kau, há muuuito tempo atrás, mas antes tarde do que nunca, né Kau? :P Se acaso você tem alguma sugestão de tema, música, frase e quer pedir um texto, basta me procurar numa das minhas mil redes sociais e pedir ;)


sábado, 23 de novembro de 2013

Fica Tranquila, Amor

Você pode (e na verdade deve) ler esse texto ouvindo Here By Me -3 Doors Down
Aperta o play ~



Pode ir, então. Eu cuido da bagunça que você deixar pra trás. Limpo o que tiver de sujo no chão, recolho os cacos de vidro da jarra que quebrou sobre mim, tiro a poeira, varro, arrumo a cozinha, guardo as panelas no lugar e quem sabe dou conta até de arrumar o coração que você não vai levar. Troco as fotos que a gente escolheu com todo cuidado pra enfeitar a casa, guardo os enfeites que não vai levar e me enfeito de novo com outra decoração que não seja escolhida por você. Guardo aqueles quadros que você não levou mesmo tendo me feito desembolsar mais do que meu salário poderia pagar pra trazê-los pra cá naquele leilão que me carregou. Você me carregou pra tanto lugar menos com você, não foi? Coloco no fundo do armário bem enrolados e protegidos, mais protegido do que você me deixou. Pra quando você voltar. Pra quando você se lembrar que deixou uma vida aqui pra trás. Cuido do nosso cachorro, levo-o pra passear depois das cinco da tarde quando o asfalto não mais queimar as patas dele, dou banho uma vez por semana e prometo me divertir do mesmo modo como me divertia com você, molhando toda a varanda e me molhando mais que ele. Penso até em pintar a parede cor pastel com alguma cor quente –que tal vermelho, amor, aquela cor que sempre ficou linda em você? –pra ver se esquento também não só a casa como minh’alma cansada de esperar você voltar. Dou uma ajeitada na mobília. Reponho os pratos que você quebrou. Balanço o tapete e jogo a poeira pra cima antes de recomeçar. A gente tem sempre que recomeçar por pior que o final tenha sido, não é?

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Vamos Conversar

Para Karen
(acompanhado de um abracinho virtual </3)



Eu sei que é o dia dos pais que está chegando, mas essa carta é para você, é para mim, é para entender porque somos assim. Mãe, eu só queria saber por que você me olha desse jeito, porque tudo que digo está errado, por que nada do que faço é o bastante. O problema sou u mesmo ou o problema é você? Talvez, nós duas? Senta aqui, mãe. Me olha nos olhos. Diminua a altura desse muro que nos separa. Diz para mim, pelo menos uma vez na vida, me escute. Vamos conversar. Como duas estranhas no começo que pegaram, por acaso, um ônibus para o mesmo destino. Por favor.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Depois de Você

Texto sugerido no ask (há muito muito tempo atrás)
Desculpa a demora (e a merda de texto, também)
Mas antes tarde do que nunca (eu acho)


Você foi meu primeiro amor e mesmo que eu viva outros, esse será para sempre o seu posto. Antes de você eu era uma menininha boba apavorada com esse sentimento que um dia chamaram de amor. Eu tive medo e você deve se lembrar bem. E por isso eu fui dificultando as coisas o máximo que conseguia, ao invés de deixar que o sentimento entrasse com a facilidade que deveria. Você insistiu. Não desistiu. E trouxe com você e seus olhos lindos, não apenas o amor, mas sorrisos, borboletas, arco-íris e as melhores histórias que alguém poderia viver.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Eu Tentei

Pedido feito pela Amada (Isis)
baseado na música Nada Es Para Siempre, do meu lindo Luis Fonsi
Obs: leiam ouvindo porque é muito importante.


Eu tentei te amar em gestos e olhares para fazer você ficar. Tentei usar palavras, mas elas não foram o bastante. Nós nunca fomos o bastante, não é? Então procurei alguma letra, alguma música, para conseguir te amar de um jeito mais fácil. Mas nunca houve jeito fácil entre a gente. Nunca houve maneiras. Não foi culpa sua, culpa minha, culpa nossa. Mas ainda assim a gente se culpa. Eu tentei te amar do meu jeito. Mas você nunca compreendeu que meu jeito torto era o melhor que eu poderia te oferecer. Aí eu tentei do seu jeito, mas também não funcionou. Eu tentei bater na sua casa e dizer tudo isso que sinto, arrancar do meu peito e entregar-me em suas mãos. Mas esse meu amor era tão grande, tão doente, que não coube em minhas palavras, em meu vocabulário pobre e, muito menos, em mim.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Algumas Linhas Sobre Você

Texto encomendado por Bruna Barbosa
especialmente para o dia dos namorados 
(está aí, Bruna, eu consegui!)



Eu separei essa folha, essa caneta e essas linhas para falar de você. Eu sei que você não gosta de surpresas e você sabe que eu não sou tão boa assim com palavras. Mas hoje é nosso dia e eu simplesmente não posso esquecer. Como se eu pudesse me esquecer de você. Bem, você entendeu. Eu separei esses minutos no meio da minha agenda maluca para falar sobre isso que você me causa e que eu não consigo colocar em frases que façam algum sentido. É só mais uma tentativa de conseguir demonstrar tudo o que sinto.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Um Dia Ela Vai Ficar

Pedido feito via ask ~


Ela tem um desses sorrisos que a gente não esquece nunca e eu queria que pelo menos um deles fosse para mim. Não é. E eu até concordo que talvez nunca seja porque ela não leva a sério quando digo que a amo. E não é maldade dela, eu acho. E  mesmo que fosse, a verdade é que não me importa. Ela continua sendo a garota que quero para mim,  aquela que invade meus sonhos e dispara meu coração. Ela não sabe nem se interessa em saber. Para ela eu sou apenas o colo que ela procura quando o resto do mundo se recusa a abraça-la. É para cá que ela vem quando sua mais nova conquista a decepciona. É de quem ela se lembra quando o resto do mundo não a entende. Ela sabe que eu estou aqui e estarei sempre. E talvez por isso ela vá embora tantas e tantas vezes, porque sabe que a porta sempre estará destrancada esperando por ela voltar.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Você Será Sempre Eterno Para Mim

Pedido feito por uma leitora no ask
Eu tentei :s

Já faz sete anos que você se foi, mas lembro como se fosse ontem, dói como se fosse hoje. Eu ainda era uma menina quando tudo aconteceu, uma criança que ainda pensava que as pessoas eram imortais. Mas os pais não deveriam ser?  Você deveria ter sido, pai. Sinto tanta sua falta e não posso nem te dizer mais. Ah, pai, você me ensinou, contra  a sua vontade, que as pessoas que se vão não partem para uma viagem longa e viram estrelinhas do céu. Não. Elas vão para longe mesmo, mas ficam sempre em nosso coração. E viram saudade.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Por Tudo O Que Não Houve

Texto encomendado por Beatriz Cristina
baseado na música Choro -Jeito Moleque 





Distribuo sorrisos de mentiras enquanto estou quebrada por dentro porque já entendi que o resto do mundo não pode compreender a minha dor. E como poderia? Se o resto do mundo tem a sua própria dor para cuidar? Então eu vou fingindo que já apaguei do meu corpo o rastro de seus dedos, que já apaguei da alma o rastro da sua presença e do meu coração também já apaguei o rastro daquele nosso amor. E de tanto fingir vou me acostumando a não sentir sua falta na maior parte do tempo. Finjo que não te encontro naquela música que foi nossa, finjo que não sinto seu perfume nos lugares mais inusitados, e finjo que não dói a falta das suas ligações me desejando boa noite e perguntando como foi meu dia sem você. Meus dias sem você tem sido terrivelmente iguais, na mesma monotonia chata, mas é você quem já não se importa mais.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Entre Erros e Defeitos

Pedido feito pela Doril (Maay)
Tá nem um pouco decente, mas é o que tem pra hoje
amika :*




A gente não daria tão certo se não brigássemos tanto, e talvez nossa grande verdade seja exatamente essa. É nesse caos de brigas que a nossa amizade se fortalece e por mais que isso me faça muito mal eu prefiro seus gritos ao seu silêncio ao meu lado. É verdade, nossa amizade poderia ser um pouco mais descomplicada se você descomplicasse um pouco mais a sua vida. Sei que não vai aceitar essa crítica, porque no fundo não nos aceitamos o suficiente para ouvir certas coisas sem nos revoltar. E eu me revolto toda vez que você aponta o dedo na minha cara e enumera todos os defeitos que eu sei que tenho sem perceber que há outros três dedos voltados a você te acusando também, em silêncio.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Por Mil Anos

Pedido feito por Kau;
baseado na música A Thousand Yers, Christina Perri
(espero que você goste?)




Tô te esperando no altar para o resto de nossas vidas. E esse resto pode ser belo ou incerto, que com você eu enfrento o mundo, me viro do avesso e luto contra tudo. Você só precisa me dar aquele sorriso. Esse mesmo que está tremendo em sua boca nesse momento enquanto você está desse lado daí. Tô te esperando aqui, como te esperei por toda a vida e esperaria por mil anos se fosse necessário. Mas não demora muito não que eu não sei se aguento de nervosismo toda vez que confiro o relógio para ter a certeza de que você não desistiu de mim ou da gente.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Em Cada Nuvem Lá Do Céu

Texto encomendado via ask
Baseado na música "Em Cada Nuvem Lá do Céu" da Natália Siqueira
(demorou e tá horrível, mas saiu)




Portas destrancadas, janelas esquecidas, café frio e meu coração despedaçado esperando você voltar. Mas você não volta e não é culpa sua, culpa minha ou culpa de alguém. E vou me esquecendo de trancar a casa enquanto me tranco de dor aqui dentro. Quero gritar, mas já não tenho forças; quero chorar e me secaram as lágrimas; e entre o quando você estava aqui e esse depois que você se foi vou te perdendo de vista e te encontrando em minha saudade. Continuo aqui no mesmo lugar que você me deixou, esperando você retornar, negando o que o destino fez e quis e me perdendo nessa ilusão.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Nosso Conto de Farsa

Texto pedido via e-mail




Eu sou apenas outra menininha que sonha com seu príncipe no cavalo branco, a mesma menina que deixa os cabelos crescerem para jogar as tranças lá do alto. E você poderia ser meu príncipe, se não fosse todo complicado, nem todo errado, se não viesse e se fosse com tanta facilidade sem nenhum peso na consciência por me iludir, me provocar e me deixar. Talvez eu seja mesmo uma iludida achando que posso viver um novo conto da Cinderela enquanto a realidade é muito mais dura de encarar. A realidade é que você é complicado demais para minha vida simples e eu sou menina demais para sua vida de homem maduro.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O Tal do Tempo

Texto pedido por Kau
baseado na música Vamos A Darnos Tiempo
(eee, ficou uma merda, mas é o que tem pra hoje, amika)






Você não me olha mais nos olhos e eu também não consigo te olhar. E em silêncio vamos trocando nossos últimos segredos até essa nossa história acabar. Eu não queria que fosse assim porque eu ainda te amo. Talvez esta seja uma das maiores dores, quando a história se aproxima do fim, mas não leva junto esse amor que fica aqui, preso na gente, tirando o ar, machucando quem é obrigado a conviver com isso e ainda ter forças para seguir em frente. Ou talvez seguir em frente deixando quem a gente ama para trás que seja a causa de tanta dor. Dói em mim, dói em você, dói na gente igualmente e é por isso que a gente fica, não se mexe, com medo que o próximo gesto seja o último.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Que Bom Que Foi Você

Texto encomendado por uma leitora no ask
Baseado na música Se Eu Me Entregar
(desculpa a demora absurda, eu tava enrolada na faculdade
e com inspiração não se luta contra)
Espero que goste.





Nós fugimos um do outro como se fugir resolvesse a intensidade do que sentíamos. E corríamos em direção opostas sem perceber que estávamos indo para a mesma rua para nos encontrarmos.   Eu tive medo de você e do que causava em mim, do tumulto da minha alma só de ver você sorrindo, os pulos que meu coração dava só de ouvir sua voz, a espera agoniante da sua ligação. Eu tive medo e quis fugir para outros braços, mas eram os seus quem me davam a paz que eu procurava. Sei que te causei tudo isso e sei do seu medo também; tememos juntos, amamos juntos e fugimos juntos, sem perceber que nossa fuga sempre terminava no mesmo lugar, com a gente sempre juntos.

Foi tarde para você e foi tarde para mim. Do alto do precipício a gente pulou, com medo da altura, com medo da queda, com medo das feridas e com medo do fim. A gente se segurou com medo e não se soltou por medo, quando viu que não tínhamos outra opção. E que bom que não tínhamos outra opção.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Para Começar, Fim


Sugestão de @nanyle
(ficou uma merda, mas okay hahaha)
Baseada na música Para Empezar - Leonel Garzía



Você me olha querendo dizer o que já sabemos, mas se cala enquanto pensamos a mesma coisa: a gente não está indo a lugar algum. E me olha porque sabe que não há mais jeito –lembra-se aquela curva errada que pegamos lá atrás, das vezes que você me abandonou me deixando lidar sozinha com a solidão, das vezes que te sufoquei com meu ciúme? Deu aqui, nesse beco sem saída, no começo do fim –e ainda assim não nos soltamos. Fico em silêncio esperando por sua pergunta fatídica “por que ainda não nos separamos?” enquanto penso em todas às vezes que disseram para eu manter a calma, porque terminaríamos junto.

Eu quero dizer que, para começar, você transforma o meu mundo num lugar melhor; ainda que me largue tantas e tantas vezes sozinha quando a minha carência te apavora. E segurar sua mão me acalma e me dá força para insistir no erro quando esse erro somos nós. Tenho um discurso pronto para te fazer ficar quando você decidir sair por essa porta. Por você eu luto, me machuco, perco e venço, me reinvento de tantas e tantas maneiras, para te convencer.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Cara, Eu Tô Falando De Amor

Texto encomendado por uma leitora num comentário da página
Contato
Espero que goste.

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É que, cara, quando ele me sorri daquele jeito me derrete toda. Você tem noção disso? Parece que o mundo para por um segundo e perco meu eixo. Cara, e aí você vem dizer que não vale à pena arriscar amizade por um namoro? Olha só para ele. Mas olha bem. Olha o jeito com que ele me olha, o modo como a mão dele se molda a minha, a saudade que quase nos mata quando estamos distantes.

É que, cara, nem dá para me irritar com o péssimo gosto musical que ele tem se sou eu quem ele tira para dançar. Dois passos para lá, dois passos para cá, quatro passos para a cama. E beleza que ele sempre deixa a toalha sobre a cama, eu também sempre esqueço a calcinha no banheiro. E tudo bem que a gente briga muito, que ele é possessivo, que eu sou ciumenta, eu não disse por aí que era fácil né? Cara, eu tô falando daquele sorriso. Você não está vendo? Eu tô falando daquele sorriso que ele dá só a mim, cara, quando eu demoro tempo demais me arrumando e ele já está cansado de esperar, aí eu apareço e ele sorri daquele jeito, com cara de que a espera valeu a pena.

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