terça-feira, 7 de junho de 2016

A última carta

Antes de qualquer coisa queria deixar bem claro para você: eu não te amo mais. Mas ontem, antes de dormir, senti poucos e fracos vestígios de seu perfume ao meu lado, me trazendo por mais um - e último - momento aquela sensação única que era dormir com a sua essência. Talvez saudade, talvez ainda seja viciada em seu aroma.
As noites ficavam tranquilas e doces com ao seu cheiro. Cheguei a te dizer isso? Acredito que não. E por mais que eu fique meses sem sentir, ainda o identifico em qualquer lugar que eu vá. O seu perfume forte, doce, marcante, seu - mesmo que mil outros caras o usem. O seu perfume que por tanto tempo foi meu porto seguro e agora se desfaz em lembranças, nem todas doces, algumas amargas.
A noite tão igual àquelas em que eu aconchegava em seus braços para observar o luar enganaram o meu olfato, trazendo consigo uma sensação inexplicável de proximidade sua, mesmo quando tínhamos que lidar com a distância. E, por mais que tenha acreditado que tudo não tinha passado de um sonho, quando amanheceu, em uma rua qualquer, você apareceu. Sem a menor pretensão e com a maior surpresa.
Não sei se mesmo com o decorrer do tempo estou preparada para esses reencontros repentinos que nos ocorrem. A cada novo encontro não planejado algo diferente aconteceu e já não somos mais as mesmas pessoas. A cada novo encontro estamos mais distantes. Poucas palavras trocadas por causa da emergência do dia a dia. Poucas palavras trocadas por pessoas que já compartilharam experiências de vidas. Poucas palavras trocadas como dois desconhecidos desejando bom dia. Um último olhar, um abraço rápido e sinto seu cheiro ali presente.
Confesso que esse acaso após a noite passada me deixou com uma saudade que não sentia há um tempo. Te olho de relance enquanto tento manter a calma no meio de uma mistura de sentimentos e sensações. Mas olha não te amo mais, só que ainda é complicado lidar com tudo isso, com todas as respostas e explicações que as pessoas ainda insistem em obter. Você aparentemente está bem e sorrio por saber disso. Seria muito egoísmo te desejar algum tipo de dor quando um dia te desejei fazer sorrir.

E agarrada em teu cheiro por uma última vez, resolvi vomitar todos os meus sentimentos que restaram nessa carta e para esclarecer uma coisa: eu não amo mais você, mas por tudo que um dia já senti, eu só desejo que você seja feliz.





segunda-feira, 30 de maio de 2016

Sobre a necessidade de ter opinião sobre tudo

"Essa história tá muito mal contada", "mas ela já era mãe com 16 anos!", "ah, ela era uma drogada", "isso é tudo papo de feminazi que quer denegrir a imagem dos homens", "ela não se dava ao respeito". 

Hoje eu até que queria fazer um texto bonitinho sobre amor, sobre relacionamento, sobre qualquer outra coisa que não as frases absurdas que tem rodado na internet esses dias. 

Uma menina de 16 anos foi estuprada por 33 caras. Tem vídeo rolando na internet. Tem foto rolando na internet. Tem áudio dos caras se vangloriando de terem feito o que fizeram.

Mas o pior: tem gente tentando justificar, descaracterizar, relativizar. Porque ela tava na comunidade. Porque ela tinha 16 anos e já era mãe. Porque ela tinha fotos com armas no facebook. Porque ela era usuária de drogas. Porque ela transava com vários caras.

De repente todo mundo conhece a menina e sabe tudo sobre a vida dela. Todo mundo teve acesso aos autos do inquérito policial, leu os depoimentos, viu os laudos da investigação. Todos viram peritos, delegados, policiais e juízes. 

A gente tem mania de falar sobre tudo, né? Somos a geração da informação, das redes sociais, da rapidez tecnológica. Uma notícia sai e alguns minutos depois a gente tem que se posicionar sobre ela. Precisamos correr pro facebook e escrever a nossa visão daquele acontecimento.Ah, vai ter textão. Precisamos disseminar nossa opinião! Só porque temos os meios que possibilitam isso. 

Só que aí não dá tempo de pensar direito. Aliás, não dá tempo nem de pensar. Não tem como questionar. Ou tampouco imaginar o que aconteceu no outro lado da história. 

Somos tomados por uma vontade tão grande de falar alguma coisa que acabamos falando qualquer coisa. E nisso alguém é ofendido, machucado, um direito é ferido e, pasmem!, até cometem crimes. Porque opinião só é opinião até a página dois. Depois de um limite constitucional vira crime. 

Tudo bem querer ter a sua opinião e a declarar para os outros. A democracia permite isso. A internet possibilita isso. Mas apologia ao estupro não é opinião. Questionar uma vítima não é algo bonito pra se postar no facebook. A gente não precisa manifestar uma opinião sobre tudo. Deixa as possibilidades entrarem na sua cabeça em silêncio. Se permita pensar no outro lado. Se coloca no lugar do outro. Tenta abrir a mente pro fato de que não sabemos tudo sobre qualquer assunto. 
Aí, se realmente resolver se posicionar, dá uma pesquisada antes pra saber do que você tá falando. Pesquisa, pensa fora da caixa, admite que às vezes a gente erra mesmo em algumas coisas. 

Tem coisa que a gente não entende e nada mais justo não falar sobre o que não sabe. Medir a dor de alguém ou tentar diminui-la é de uma mesquinharia e leviandade sem tamanho. 

É melhor ficar em silêncio do que disseminar "opiniões" crueis internet afora em nome apenas de se posicionar pra ganhar uns likes no facebook. 



quarta-feira, 11 de maio de 2016

Depois de você, os outros são os outros.



Já me apaixonei por muitos caras ao longo dessa vida. Talvez a explicação para isso esteja no meu mapa astral, mas quer saber? Tanto faz, eu nem acredito nesse lance de horóscopo mesmo. Já fui conquistada com almoços incríveis porque sabiam da minha enorme preguiça de cozinhar. Já fiquei encantada com um sentimento de proteção, com aquela sensação maravilhosa de olhar dentro dos olhos do outro e encontrar um outdoor que diz “Ei, não se preocupa, estarei aqui sempre que você precisar”. Já me ganharam até com aqueles beijos bem gostosos de mesa de bar, daqueles que você curte ao máximo porque sabe que não precisa se preocupar em ligar no dia seguinte. 

Isso é tudo que consigo falar sobre os outros e se você precisou ficar aqui, sozinho em outro parágrafo, é porque no seu caso as coisas são bem diferentes. Porque encontrar um motivo que explique o porquê de eu ter me apaixonado por você é mais difícil do que encontrar aquela meia que a gente sempre perde quando vai lavar roupa. Mais difícil que comer só o primeiro biscoito recheado do pacote e guardar o resto para depois. As peças do seu quebra-cabeça nunca se encaixavam, por mais que eu tentasse começar pelas bordas para facilitar o trabalho. Você não tinha causa, motivo, razão, circunstância ou qualquer outro sinônimo que se possa utilizar para representar essa dúvida que você deixa pairando no ar.

Você não sabia cozinhar pratos muito elaborados e quando tentava seguir alguma receita o resultado era desastroso, mas se eu dizia que estava com fome você prontamente pegava o telefone e ligava para alguma pizzaria. Você nunca perguntava qual sabor eu queria porque já tinha decorado que marguerita era a minha preferida. Às vezes você não respondia minhas mensagens porque estava envolvido com aquele jogo de computador cheio de tiros, socos e facadas. Às vezes você me fazia esperar por horas, mas quando decidia ligar, não deixava que minhas reclamações se transformassem numa discussão. Você me ouvia sem contestar até que eu me acalmasse e quando isso acontecia não se queixava, apenas respirava fundo e me perguntava o que eu queria fazer no fim de semana.

Você sempre deixava a toalha molhada em cima da cama e o tubo de creme dental aberto em cima da pia, mas nunca reclamava dos fios ruivos que se espalhavam pelo banheiro quando eu secava o cabelo. Você odiava tirar o pó dos móveis, mas se responsabilizava por essa tarefa doméstica para me poupar das minhas crises alérgicas. Você nunca foi um cara muito romântico, mas naquela época em que eu precisei retirar as amígdalas você fez questão de enviar um buquê de lírios lá pra casa. Quer saber de um segredo? Eu sei que não foi você quem escreveu o cartão, mas não se preocupe, amei a surpresa mesmo assim.

Ao seu lado tudo era tranquilo descomplicado. Você fazia o amor parecer uma tarefa fácil, tão simples quanto preparar aquelas lasanhas congeladas que nós comíamos quando já estávamos enjoados das pizzas. Você fazia com que eu considerasse a ideia de passar a vida toda ao lado de alguém um pouco menos absurda. Na verdade, você me ajudou a perder o medo dessa ideia porque me mostrou que não há problema algum em amar alguém exageradamente assim como eu te amo. Continua sendo difícil encontrar motivos específicos para explicar tudo isso, mas a verdade é que talvez eu tenha me apaixonado porque você era leve, porque quando segurava minhas mãos me transmitia um pouco dessa leveza e então me fazia flutuar junto com você.


*O título do texto é um trecho da música Os Outros da banda Kid Abelha.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

O Que Ninguém Viu



Todo mundo diz que a gente nasceu um pro outro. Mas ninguém viu as lágrimas que você me fez derramar, as mentiras que você me contou, o meu coração leve que pesou. Ninguém viu que os sorrisos da foto era uma enganação para mim mesma, para me convencer de que a gente era mesmo aquilo que todo mundo imaginou.

Todo mundo diz que era pra gente ter sido para sempre. Um desses modelos de casal de comédia romântica de meio de tarde, que se acerta num felizes pouco antes do final. Mas ninguém assistiu o fim dos créditos. Ninguém quis compreender o que aconteceu com nós dois depois que a câmera se desligou.

Todo mundo dizia que você me olhava como quem achou um prêmio. E ninguém entendeu que era exatamente esse o problema. Que você me via como bonequinha de sua estante, feita só para te agradar. Que nada do que eu dizia te chamava atenção e, pior, nada do que eu sentia era importante para você. Eu era seu prêmio, último modelo para ser levada aos lugares para ser admirada por seus amigos e familiares. Eu nunca fui nada para você.

Todo mundo sempre vem me dizer que não me entende, porque você era o último dos românticos por todo lugar. Mas ninguém ficou na nossa casa para ver os gritos que você dava. O seu descontrole, a sua agressão, toda a sua estupidez. De como você me destruía psicologicamente para me fazer acreditar que a culpa era minha, que não te amava do jeito que você merecia.

Todo mundo sempre me diz que eu joguei minha grande chance fora, que homem igual a você eu nunca mais vou achar. E eu sempre dou um sorriso querendo dizer que bom que não vou. Porque eu te vi como ninguém te conhecia. E não importa que éramos um casal desses lindos de propaganda de margarina, se eu tinha que me fingir de alguém que eu não era só para que você fosse comigo aquilo que todo mundo via.


segunda-feira, 11 de abril de 2016

As (Des)Vantagens do Amor


Obrigada por me fazer acreditar no “felizes para sempre” daqueles contos de fada que eu adoro ler. Por vezes eu imaginei que o tão sonhado final feliz fosse possível para nós duas e durante meses essa fantasia foi o suficiente para me manter feliz. Nutria-me dessa ilusão, sugava dela toda energia necessária para manter minhas expectativas de pé e isso parecia ser o bastante. Dizem que a esperança é a última que morre, mas não fui capaz de aceitar a sentença de morte de minhas esperanças quando esta chegou. Meu amor era o desfibrilador que a ressuscitava.
             
Certa vez li que nós aceitamos o amor que achamos que merecemos. Não posso discordar, pois esse a história de amor que eu idealizava para nós duas era algo que eu acreditava merecer mais do que tudo nessa vida. Sempre esperei a pessoa que me permitiria cantar Marceline* declarando todo o meu amor e eu acreditei que essa pessoa seria você. E apesar de você odiar quando dizem seu nome, eu também cantaria aquela música que tem ele como título, aquela música dessa mesma cantora. Lembra? Na verdade acho que a Ana poderia ser trilha sonora desse amor que nós nunca nos permitimos viver.
             
Sempre fui o tipo que sente um pesar por todas as histórias de amor que deixam de ser vividas. E digo que você deixou uma marca diferente de todas as outras. Nunca fui muito de pensar no que há naquele plano espiritual que ainda não conhecemos, mas lembra de quando eu disse sentir que te conhecia de outras vidas? Ainda carrego essa sensação dentro do peito todos os dias. Às vezes ela me machuca como se não tivesse pena. Mas outras vezes sinto que ela me faz companhia e em momentos assim certos pensamentos me atormentam. E se essa realmente for mais uma vida dentre tantas outras das quais não nos lembramos? E se esse for mais um desencontro? E se essa for mais uma oportunidade que perdemos?
             
De vez em quando eu brinco de justificar nossos erros usando os signos. Nos momentos em que a realidade insiste em bater à minha porta, culpar o zodíaco pelo fim(?) dessa história que nunca começou me parece a escolha mais fácil. Uma vez disseram que nossos signos são opostos e talvez isso seja verdade mesmo, mas confesso que não me importaria de tentar desafiar os astros se você aceitasse lutar ao meu lado. E você nem precisava querer tanto assim. Eu acreditava tanto na verdade dos meus sentimentos que se você me estendesse a mão eu a agarraria e te arrastaria para todo canto que eu fosse. Eu te enlaçaria e não me permitiria soltar.**
           
Todos os dias morre uma pequena parte do pedaço de mim que insiste em te amar. E todos os dias se acende uma centelha de esperança que deseja manter esse pedaço vivo. Sinto que em breve essas centelhas não resistirão a todas as barreiras que a distância e a indiferença impõe, então antes que elas se apaguem por completo e esse sentimento não seja nada além de uma lembrança, decidi escrever para agradecer. Agradeço ao universo por me permitir (mais uma vez) viver na mesma época que você. Por me permitir te conhecer. E a você: Obrigada por ser um dos amores mais bonitos que já senti.


*Link para quem quiser ouvir Marceline da cantora Ana Muller.
**Trecho da música Singular da dupla ANAVITÓRIA.



sábado, 2 de abril de 2016

Aquela que floresce




Ela acordou decidida a florescer. Tirou o pijama, penteou os cabelos, se olhou no espelho: era hora de mudar. Secou as lágrimas que ainda existiam e que molharam o seu travesseiro na noite passada. Não iria chorar mais - não por ele.

Colocou o melhor sorriso que tinha e o seu vestido preferido. Tomou um café quente para aquecer o seu coração frio e vazio - porque foi assim que se sentiu por várias noites seguidas desde que ele decidiu partir.

Se separar nunca foi uma escolha dela, mas, não implorar por um amor, foi. Foi por esse motivo que ela não o pediu para ficar, para tentar ajeitar as coisas, arrumar as gavetas. No fundo já sabia que, mesmo arrumando todas as suas gavetas, não haveria muito que fazer. Havia nelas muitas roupas velhas que precisavam ser jogadas fora e não lavadas.

Foi por acreditar que nenhum amor deveria ser mendigado que o deixou voar como pólen que foi transportado pelo vento. E agora era  a vez dela de ser transportada para outro lugar.

Ao contrário de uma flor, que às vezes precisa de adubo para florir, essa garota necessitava era de coragem. Coragem para finalmente ir ao encontro do que existia além daquele jardim que há tempos não desabrochava uma única flor e estava sendo tomado pelo mato e ervas daninhas. Coragem para colocar no fundo de sua gaveta as memórias e lembranças que ainda estavam frescas em sua mente.

Ela lutou contra o mato e as ervas daninhas, criou coragem e saiu daquele jardim decidida a florir em outro lugar. Sem rumo, sem plano, apenas um objetivo: florescer.

Iria visitar outros jardins, enxergar novas cores, conhecer outros beija-flores e com eles experimentar novos sabores de néctares. Ela iria florescer e não importava se fosse na próxima primavera ou no outono.

Refletiu muito sobre a sua decisão e pensou muitas vezes em desistir, mas não voltou atrás. Ela continuou a caminhar, a princípio com passos lentos, mas prosseguiu.

A jovem garota foi a diversos lugares, visitou belos jardins e descobriu coisas novas.

E ela floresceu no final da primavera, depois de um longo e rigoroso inverno em sua vida, brotando as flores mais lindas que nunca haviam sido cultivadas por ela.

Ela floresceu. Ela sempre floresce. 

terça-feira, 8 de março de 2016

Dança Do Adeus



Fica pro café. Eu fiz do jeito que você gosta, mais amargo e mais forte. Mas se achar muito amargo, você pode colocar açúcar que nem eu. Eu comprei pão de queijo, daqueles bem mineiros, com muito, muito queijo. Fica, vai? A gente fala um pouco da nossa vida, um pouco do nosso amor, um pouco da gente. Ou então nem fala. Mas fica.

Vai ficando até o almoço. Prometo que faço seu prato preferido. Aquela lasanha com molho branco que sempre fez você salivar. Eu faço seu suco predileto. Ou então você me diz o que tá com vontade que, se não souber, eu peço pra entregarem. Mas fica. A gente discute sobre os processos de separação, sobre o que você quer levar, sobre o que pode ficar comigo. Sobre você mudar de ideia e me levar junto também, quem sabe.

Fica. Eu coloco aquele cd que você tanto gosta e a gente escuta de novo a música que dizíamos tanto ser de nós dois. E podemos até dançar em nome dos velhos tempos. Eu tiro aquelas fotos guardadas, para decidirmos quem é que fica com o quê. É sempre a pior parte esse momento, não é? É tão ruim assim também para você?

Fica. Que a gente tem muita coisa pra resolver. A gente precisa decidir quem é que fica com o cachorro, quem é que fica com aquela coleção de livros que compramos juntos e para nós dois, quem é que vai ficar com esse quadro caro que compramos para decorar nosso quarto.

Agora, que nada mais é nosso, com quem que a gente deixa as nossas coisas?

Fica, vai. Fica pro jantar. Eu abro um vinho, eu peço uma pizza, eu até coloco aquele vestido vermelho que você me deu e nunca usei. E a gente relembra dos bons momentos. Porque a gente até teve bons momentos, não é? Das coisas divertidas, dos programas de índios que arrancaram nossas risadas, das novas coisas que só descobrimos juntos, daquela viagem inesquecível que fizemos. E de tudo aquilo que planejamos e nunca conseguimos tirar do papel.

Fica, que a gente tem muito assunto, tem muita coisa que não dissemos e deveríamos ter dito, temos que resolver tanta coisa que não sabemos nem como começar. Ir embora é o mais fácil de um fim da relação – difícil mesmo é decidir ficar. Fica. Só mais um pouquinho. Até que decida para sempre ficar.


domingo, 6 de março de 2016

Aquilo que o caminho me trouxe

Se lá atrás, quando eu tinha 17 anos e achava que aquele carinha da minha sala era o amor da minha vida, me falassem que ele na verdade não era, porque o grande amor da minha vida seria bem maior, bem mais intenso, bem mais lindo, eu iria rir, em meios as lágrimas. Porque achei que nada seria maior que aquilo. 

Quando tive meu primeiro coração partido me falaram que tudo ia ficar bem, que iria passar, e que no futuro eu nem iria lembrar disso porque encontraria alguém que faria tudo valer. De novo, eu não acreditei. Achei que aquela dor não ia passar e que o amor só existia pra doer na gente. 

Aí eu assisti um filme de romance e fiquei desejando aquela história. Mas achava que aquele tipo de amor não existia, porque ninguém é perfeito, né? Todo mundo tem defeitos e não dá pra ser tão feliz assim com alguém. Então, fiz o que qualquer pessoa normal faria: devorei um pote de sorvete com lágrimas correndo fingindo que me conformava que não ia viver uma grande história de amor. 

O tempo passou e todas as minhas amigas viveram namoros intensos e eu fui ficando pra trás. O tempo foi passando mais, com 18, 19, 20, 21 anos… nada. E eu achando que realmente essa história de amor não era pra mim. Achei que teria que pagar algum tipo de carma nessa vida pra poder ser feliz com alguém, quem sabe, em outra eternidade. 

E olha que sempre fiz a linha romântica incorrigível, viu? Mas não acharia possível a existência de alguém que me fizesse tão feliz, tão completa, tão leve. Tão amada. Não depois de ter quebrado tanto a cara. 

Se, anos atrás, alguém me dissesse que eu iria te encontrar, juro que não acreditaria. Se alguém pedisse pra eu descrever a pessoa perfeita pra mim, ainda assim não saberia inventar você. Eu não saberia inventar o seu olhar, o seu toque, a sua voz, seu calor, seu cheiro, seu amor. Eu não saberia inventar alguém que encaixe tanto em mim quanto você encaixou. Eu não saberia inventar você, simplesmente porque achei que alguém assim não existia.

Não saberia inventar o nosso amor porque ele é melhor do que qualquer coisa que eu já vivi: ele é real. E é só nosso. Só a gente sabe como se faz feliz. Só a gente sabe a sorte que temos. Só a gente sabe como somos gratos por termos um ao outro. 

Hoje, se alguém me perguntasse se eu me arrependo de tudo que vivi, diria que não. Tudo me trouxe até aqui e o meu hoje é você. E você é a maior felicidade que eu já senti, o amor mais completo e intenso que eu nem sonhei que existiria e, veja só, tampouco consigo colocar em palavras. Mas vou passar o resto da minha vida tentando transcrever metade da mágica que estamos vivendo. 

Se você aí - é! você mesmo! -  tá duvidando do amor… Confia em mim: tudo que a gente passa, de bom e de ruim, é pra construir o caminho que vai nos levar pra uma felicidade que você nem sabe que existe. 

E vai valer a pena. Garanto. 


LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Compartilhe