domingo, 12 de maio de 2013

Carta de Uma Filha Pródiga



Desculpa, mãe, pelas vezes que não te ouvi, que achei que sabia mais do que você e quis fazer as coisas do meu jeito, pelas blusas de frio que não levei, os guarda-chuvas que ignorei, as “amizades” que fiz, aquele namorado que você detestava e que eu insistia em levar para casa. Eu devia ter ouvido seus conselhos, prestado atenção nos seus olhos sábios e dado mais valor aos seus fios de cabelo branco. Eu devia ter ouvido em silêncio a sua visão de vida ao invés de gritar que você era uma antiquada e precisava se atualizar. Eu devia ter entendido que tudo o que fez para mim foi pensando no meu bem, que quando me proibia das coisas era porque só o fato de imaginar que algo de ruim pudesse me acontecer já te matava.


Eu devia ter entendido que seus “nãos” foram necessários e parte responsável por boa parte do que sou hoje. Desculpa, mãe, por ter dito para amigos, redes sociais, e qualquer pessoa próxima na hora da raiva que você era chata, insuportável, enlouquecedora.  E que, eu tenha me dado o direito de odiar você –ainda que apenas por alguns segundos –É que você me corrigia o tempo todo, nunca achava que o que fazia estava bom e não tirava os olhos de mim; é que eu já achava que era adulta, que sabia de tudo e que não precisava de você. Mas eu precisava, mãe, e ainda preciso e sei que vou precisar para sempre.

Desculpa por nunca ter confiado em você, ter aceitado seus conselhos com desconfiança, e, quando precisei, ter pedido colo a outra pessoa e não a você, que mais me amou nesse mundo. Eu nunca quis te ferir, mãe, nem te magoar. Desculpa por não ter te abraçado o quanto deveria, por não ter secado suas lágrimas e visto como era difícil para você segurar todo aquele peso do mundo sozinha, porque não queria me preocupar, porque queria me proteger, porque apenas queria. Desculpa não ter aceitado sua proteção, desobedecido suas leis e ter te ferido ao me machucar na minha cega teimosia. Você estava certa, mãe, e eu deveria ter te dado mais valor, ter tido mais paciência e ter demonstrado o quanto você era e sempre foi tão importante para mim.

Talvez seja tarde demais para dizer isso. Mas desculpa, mãe, por nunca ter dito o orgulho que tenho de ser sua filha e por sentir vergonha de deixar claro o quanto eu amo você, ainda que você me enlouqueça e me tire do sério mais do que qualquer pessoa.

12 comentários:

  1. Fernanda, que texto lindo... Mostra realmente o que fazemos diariamente com nossas Mães (de forma inconsciente ou não). Parabéns. Mesmo.

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    1. Oun, obrigada
      a gente as vezes é bem ingrata com elas

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  2. Acho que, de todos os textos sobre mães que vi hoje, esse é um dos mais bonitos. Parabéns (:

    http://domingo-chuvoso.blogspot.com/

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  3. Ai que lindo! Traduziu meus pensamentos e sentimentos nesse texto. Do jeitinho que se passa dentro de mim.
    Simplesmente perfeito Nanda.
    Cada vez mais encantada pelo modo como escreve. Ameeei!
    <3 <3

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  4. Belo texto! Quem ainda tem sua mãezinha (assim como eu, graças a Deus) esse texto serve para abrirmos os olhos. Belo texto, de verdade, tocante!!!

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Comentários

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