quinta-feira, 18 de julho de 2013

200 Dias Sem Você -Diário Da Sobrevivência Sem O Seu Sorriso

200 Dias Sem Você é meu novo projeto de um livro
e esse post-teste é para saber o que vocês acham da ideia
Por isso, é muito importante que opinem (:




É estranha essa sensação. É diferente de tudo o que disseram que ia ser. Disseram que ia doer muito. Que só nesse momento cairia a ficha. Que não conseguiria ficar sozinha. Porque não ia para casa de sua mãe? Não é a melhor hora de querer ser forte e ficar sozinha. Vim para casa assim mesmo, contra todos. Porque era assim que você gostaria que acontecesse. Não que eu estivesse me fazendo de forte. Longe disso. Não sou. Também não sei se quero ser. Eu só precisava ver como seria ficar sozinha. Passei o dia todo rodeada de pessoas me fazendo me sentir segura, maquiando o que eu era agora: alguém sem você.

Alguém que, embora rodeada de pessoas, precisa aprender a conviver com isso: a quietude. O silêncio de onde antes havia euforia, a calma onde antes havia o caos, a ordem ocupando a bagunça. A falta. A ausência. O escuro. E o pedaço que se foi, arrancado brutalmente de onde deveria estar. Alguém que perdeu, sem aviso prévio, o seu sorriso, o seu amor, o seu carinho, o seu abraço, a sua companhia radiante. Alguém que viu a pessoa que mais ama, que dedicou todo seu amor, indo embora. Sem brigas, sem discussões. Sem adeus. Sem despedidas. Sem bater a porta. Se foi, apenas. Sem explicação. Sem motivo. Sem razão.



A partir de hoje, eu era esse alguém. Alguém que não tinha você, mas tinha que continuar. Alguém que rodeada de pessoas que ama está sozinha, porque perdeu sua melhor parte: você.

Não adiantava protelar esse instante. Adiar. Esse momento me alcançaria. E eu deveria estar pronta para isso. Não estava. Mas deveria.


***

Estou em casa –a nossa casa –E, parada na porta, contemplei a quietude agoniante a minha volta. Tudo normal. Nenhum quadro fora da parede. Nenhum objeto quebrado. Nenhuma cama desarrumada. Nenhuma pizza largada no meio da sala. Tudo estava como deveria estar. E, ainda assim, era estranho. Como se eu estivesse no lugar errado, de um jeito errado.

Estranha. Era assim que estava me sentindo. Nenhuma dor dilaceradora. Nenhuma vontade de chorar. Algo estava em suspenso. Preso no ar. A qualquer momento a cortina desceria e o espetáculo teria seu fim. Nós riríamos. Você entraria por essa porta. E seria só uma mais uma pegadinha das milhares que já fez.

Vazio. Era isso e não tudo o que falaram. Meus olhos estavam, pela primeira vez, secos. O peito não se apertava. A dor parecia ter ficado do lado de fora, respeitando a felicidade presente em cada canto dessa casa. Como se ainda fosse errado ela se impregnar desse espaço que um dia foi tão nosso, que só traz boa lembrança.

Nada de desespero absoluto. Nada de solidão doentia. Nada de dor insuportável. Nada de choro incontrolável. Nada de respirações difíceis e socos na barriga. A agonia não chegara. Como se meu cérebro tivesse soltado uma anestesia muito forte e paralisado todo meu corpo. Não sentia porque não doía. Não doía porque estava oca. Vazia. Perdida, sem saber o que fazer, porque não sentia nada. Nada de nada do que todo mundo tentou explicar que eu sentiria.

Estranho. Difícil de explicar. Mas como se, a qualquer momento, eu fosse arrancada daqui. Como você foi arrancado de mim.

***


Dormi. Acordei. Dormi de novo. Lembrava com exatidão desses momentos porque seriam os únicos dos primeiros dias que teria. Não cheguei a descansar. Mesmo depois de mais de vinte e quatro horas insones, o sono parecia não ser o bastante para me fazer dormir. Era perturbador as poucas horas que tive desligada do mundo. Como se meu corpo tivesse a noção de que algo me alcançaria a qualquer instante. Algo que estava por perto, rodeando com o cuidado de um animal caçador diante de sua caça. Algo de ruim, de muito ruim. Que eu não sabia o que era, mas que tinha certeza de que, ao me agarrar, não me soltaria mais. Ou pelo menos não tão cedo. Algo que todos os meus instintos previam e que, por isso, me deixavam em alerta e me impediam de relaxar.

Me alcançou.

No meio da madrugada de uma cidade que também não dormia, sem pedir licença, sem limpar os pés no tapete da porta. Perdi o fôlego e acordei respirando com dificuldade, assustada, perdida. Nocauteada com um soco no estômago e uma dor aguda no peito. Aquilo que parecia suspenso o tempo todo despencou de uma vez só, caindo sobre mim, me deixando zonza. A dor cruzou a porta, penetrou nossa felicidade, e sem cerimônia, me abraçou forte como se fossemos amigas íntimas. Naquele momento, não éramos ainda. Mas seriamos. Em breve.

A cortina não se fechara. Você não entrou rindo de minha cara assustada, dizendo que era apenas uma pegadinha e que estava tudo bem. Ao invés disso, o que caiu foi a ficha. A minha ficha.

Não era uma pegadinha. Você nunca mais entraria por aquela porta com aquele seu sorriso que mais amava. Eu havia te perdido para sempre, sem ter nenhuma direção apontada para ser seguida. A partir de agora era só eu.Estava sozinha. Pior, estava sem você.

Não estava tudo bem.


E, talvez, nunca mais estaria.





(Qualquer cópia parcial ou total desse texto, sem os devidos créditos, será considerado plágio)

16 comentários:

  1. Put's, sei nem o que falar. Mto bom mesmo.
    Vc escreve de um jeito que prende a atenção, que desperta a vontade de ficar lendo por horas o que escreveu.
    E a vontade de continuar lendo, como faz?
    Curti mto <3

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  2. Fernanda mais uma vez vc tocou a minha alma com suas palavras de um jeito tão profundo q a muito não sentia ou não queria sentir. Só pessoas sensíveis consegue descrever o sentimento da perda assim sem sentir isso de verdade. Você me fez voltar a um passado e que luto todo dia pra superar e não pense q isso é ruim, pq é ótimo com este pedaço do seu livro vejo o quanto já evolui e superei mesmo sendo uma saudade que ficara eternamente em mim, mas agora ela não doí e sufoca como antes. Muito obrigada por me fazer ver isso.

    PS: Este livro quando for publicado sera um sucesso teno certeza disso!

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    1. ai nossa
      nem sei o que dizer quanto a isso
      tão <3 to sem palavras!
      (odeio ficar sem palavras)

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  3. Talento e seu sobrenome continue assim menina que vc vai longe ;)

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  4. Fernanda, meu Deus do céu! Eu acho que isso foi maldade, porque estou super curiosa pra ler o restante e não posso :(
    Está perfeito, maravilhoso, incrível! Eu leio vários blogs, mas TODOS os textos que você posta, tudo que você escreve fala comigo de alguma forma. Sempre tem uma frase certa, uma palavra certa... quando você posta um novo texto eu faço questão de ler, entro aqui e começo a olhar o "Poderá também gostar de:" e quando vejo estou lendo os seus textos mais antigos rs(que eu adoro também) Enfim, parabéns, tenho certeza que o novo livro será um sucesso!

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    1. Ain, obrigaaada
      muito bom ler isso, essas palavras, assim
      <3

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  5. sempre visito o blog e adorei esse texto achei muito lindo e é assim que as coisas acontecem quando temos uma perda desse nivel...
    amei e espero que seu desejo de publicar esse livro seja realizado para poder le-lo...
    parabens

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    1. A dor não se mede, mas dá para escrever, às vezes...

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  6. Acho que praticamente todos amariam o seu novo livro.
    Você descreve tão bem o que provavelmente muitos já sentiram, a gente perde alguém e não sabe explicar como é sentir a separação. Mas você explicou isso muito bem. E sua escrita é perfeita.
    http://doisquintos.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. <3 apenas morrendo com esse comentário, apenas

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  7. PELO AMOR DE DEUS POSTA MAIS!! E obrigada pelo texto. Já me senti assim... Sem chão, sem ar... Mas passou e esse texto me fez sentir uma saudade bonita... Muito obrigada!
    T.

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Comentários

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