terça-feira, 11 de março de 2014

Cê Topa?



Não posso te prometer que seremos para sempre. Nem que conseguiríamos ultrapassar toda eternidade. Não posso te prometer que só haverá dias de sol, noites de amor, semanas de felicidade e uma vida dessas de filmes-românticos-água-com-açúcar. Na verdade, não posso te prometer nada: só que te amo. Hoje. Porque o instante é agora. Porque o agora já passou e também se tornou passado, mas você continua no presente. Porque o agora não é futuro e o futuro ninguém pode prever. Somos tão inconstantes. Somos tão constantes juntos. Mas não posso te prometer que será assim, mesmo a cada problema novo que surgir, depois de cada solução encontrada. Não posso te prometer que vou mudar: não se muda por ninguém. Não se muda porque, se mudar, em algum momento, isso será jogado em sua cara. Mudei por você, é assim que você me devolve? Deixa que eu mude por mim mesma, porque preciso, porque vai ser melhor pra mim –e sendo melhor pra mim também vai ser melhor para você e será melhor pra gente –Parece egoísmo, mas é o meu eu que precisa estar bem pra fazer com que o nós fique bem.

Não gosto de promessas. Não sei o que vai acontecer depois deste instante: pode-se acabar; pode-se esvair entre as mãos sem que percebêssemos ou pode fortalecer. Não me veja como alguém pessimista, alguém que não pense no futuro. Eu penso, meu bem. Te vejo em cada canto dele, peço pra que você esteja em cada canto dele. Só não deixo que ele ocupe mais do que deve: a ideia chega, a ideia é pensada, a ideia passa e eu volto para o presente. O presente que tenho e ainda quero ter você. O presente em que desejo te querer para sempre. E te quero, meu bem, sem precisar de promessas para me convencer disso. Sem precisar de suas promessas para me convencer disso.

As promessas criam um elo eterno que não se pode garantir que perpetuará.  Não há garantias, meu amor. Não há garantias que estaremos vivos daqui quinze minutos, porque haveria garantia que te amarei depois de quinze anos? Garantias e sentimentos não combinam. Aos sentimentos, só combinam o agora, o instante que passa por nós e continua, o presente de um futuro que sonhamos juntos.

Não posso te prometer que meus defeitos um dia não te incomodarão. Que eu não acordarei no meio da noite e me irritarei com o jeito com que você dorme, com as roupas que você veste, com o modo como nosso amor se transformou. Com a rotina de sempre angustiando cada célula do meu corpo. Não posso te prometer que não gritarei com você. Que não te ofenderei de vez em quando, quando você tiver me estressando. Não te prometo ficar livre de estresse. Que não vou chegar cansada e querer me esconder do mundo. Inclusive de você. Que não vou parar nunca de cantar as músicas sem sentido ou dançar desengonçada por aí. Não prometo querer jogar tudo pro alto –mas prometo que fico e junto a bagunça com você. Prometo que vou ter sempre um abraço apertado depois de um dia seu difícil. Prometo que divido contigo os seus problemas, que mantenho o meu sorriso pelo qual você se apaixonou, prometo que fico e que te acolho sempre que você quiser, ainda que você não queira. Que estarei aqui, agora, e que estarei lá, depois, mesmo não estando com você, mesmo já tendo terminado. Prometo que você sempre poderá contar comigo.

Prometo tentar melhorar todos os dias, se você prometer não parar em suas próprias mudanças. Prometo que, se der vontade de fugir, eu me abraço a você até meus braços se cansarem. Prometo que se cansar, você será o primeiro a saber.  Prometo que se você se cansar e eu for a primeira a saber, não te odiarei nem falarei de você por aí como alguém que não foi fiel as suas promessas. Seja apenas fiel as suas vontades. Aos seus desejos. E aos seus sentimentos. Não a mim nem ao que temos. Mas ao que você sente e ao que eu sinto também. E eu prometo que aceitarei se um dia acabar por isso. Prefiro a dor de um fim de amor do que a dor de uma infidelidade ao que se quer.

Não prometo que esse amor que eu sinto será para sempre.

Mas prometo que vai ser sempre amor, até que deixe de ser.


E aí? Cê topa?

Um comentário:

  1. Que lindo, Fernanda. É impossível não suspirar com os seus textos <3

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Comentários

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